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23 de agosto de 2013

Medo do parto: como lidar com isto?

Texto muito bacana que compartilho com vocês!


Tremer só de pensar em ter contrações. Achar que o bebê pode nascer com algum problema grave, apesar de o ultrassom mostrar que está tudo bem com o pequeno. Entrar em pânico quando imagina a dor que pode sentir ou as infinitas complicações que ameaçam uma gravidez. Se você já passou por uma dessas situações, bem-vinda ao clube! Saiba que temores como esses são compartilhados pela maioria das mulheres que esperam um filho e, embora mais acentuados na primeira gestação, assombram também quem já não é marinheira de primeira viagem.
Pode parecer exagero uma vez que o avanço da medicina e dos exames de pré-natal permite hoje detectar e evitar precocemente riscos para a mãe e a criança. "Mas não é só uma questão racional. Esses medos fazem parte do psiquismo feminino", explica a psicóloga Eliane Rovigatti Gasparini, de São Paulo. Simbolicamente, eles trazem à tona questões do inconsciente da futura mãe, como receios em relação às mudanças provocadas pela chegada de um novo membro na família.
A boa notícia é que você pode romper esse círculo de ansiedade, angústia e medo. "O caminho é um acompanhamento pré-natal benfeito, muita conversa com o obstetra e acesso a informações confiáveis. Afinal, grande parte dos problemas que podem complicar a gestação e o parto é controlável, desde que a mulher siga corretamente as orientações do médico", garante a ginecologista e obstetra Alessandra Mara Palma, de Santo André (SP).
Veja quais dos medos a seguir andam tirando o seu sossego e como se proteger deles.
...de sentir dor
"Seja no sistema de saúde público, seja no particular, cerca de 80% das gestantes chegam ao consultório pedindo uma cesariana por medo de sofrer", constata Alessandra. É verdade que a dor das contrações faz parte do processo natural do nascimento, mas ela pode ser amenizada e controlada com técnicas de respiração, caminhada, relaxamento na água e anestésicos.
O que você pode fazer: desde já, matricule-se em um curso de gestante e aprenda a controlar a respiração. Na escolha da maternidade, leve em conta os recursos disponíveis para seu relaxamento durante o pré-parto, como hidromassagem e um espaço para andar. "Convocar o marido e familiares próximos para fazer companhia na hora H também ajuda a lidar com a ansiedade da reta final", afirma Eliane.
...de que o bebê tenha malformação
Os receios mais comuns são de que o bebê apresente problemas graves no sistema nervoso, como anencefalia, alterações cromossômicas, como a síndrome de Down, ou malformações de órgãos e membros.
O que você pode fazer: o ultrassom é o primeiro passo para a triagem desses problemas. Se houver motivo para desconfiar de que algo está errado, entram em cena os exames de medicina fetal, como a amniocentese, capazes de detectar com maior precisão a ocorrência de síndromes genéticas. Mas não se assuste: essas síndromes não são frequentes - o risco de Down, por exemplo, é de um caso a cada 80 gestações entre mulheres de 40 anos, mais sujeitas ao problema devido ao envelhecimento dos óvulos. O ultrassom morfológico e o 3D mostram se está tudo bem com mãos, pés e órgãos internos. "Quanto às malformações neurológicas, os suplementos de ácido fólico ajudam a evitá-las. O ideal é começar três meses antes de engravidar e continuar até o final do primeiro trimestre de gravidez", indica Alessandra.
...de não saber se chegou a hora
É natural que você fique ansiosa e tenha medo de confundir as sensações quando chegar o grande dia. Por isso, é importante aprender (principalmente no primeiro parto) a reconhecer os sinais de uma possível chegada do bebê. Ligue para o obstetra se:
· Ocorrer a perda do tampão, mucosidade viscosa que protege a entrada do útero - ela pode apresentar sinais de um leve sangramento, o que é normal;
· Sentir contrações uterinas (quando a barriga endurece) a cada cinco minutos;
· A bolsa se romper e liberar o líquido amniótico - ele é quente e tem um leve odor de água sanitária.
O que você pode fazer: para evitar atropelos, escolha a maternidade e prepare a mala cerca de um mês antes da data prevista para o parto. Deixe também o telefone do médico à mão. Assim, diante de um desses sinais, você ganha tempo, pois já sabe aonde ir.
...de que ele esteja com o cordão enrolado no pescoço
Em 20% dos casos, o bebê chega à reta final com o cordão enrolado no pescoço ou em torno do corpo. "Mas, na hora do parto, o médico desfaz facilmente essa circular após a saída da cabeça do recém-nascido", afirma a ginecologista e obstetra Fernanda Couto Fernandes, de São Paulo. Em situações extremas, se houver risco de sufocamento, uma cesárea resolve.
O que você pode fazer: basta seguir a rotina do pré-natal. Pelo ultrassom, o médico avalia se a circular está dificultando a descida do bebê pelo canal vaginal e age antes que a oxigenação dele fique comprometida.
..de perder o bebê
Se foi tudo bem na gravidez, é difícil algum imprevisto ameaçar a criança no nascimento. Uma complicação perigosa e que pode pegar a equipe médica de surpresa é a vasa prévia, na qual há o rompimento dos vasos que ligam a placenta ao feto. Isso acontece quando rompe a bolsa e é percebido pela queda dos batimentos cardíacos do pequeno, devido à perda de sangue pela mãe e pelo bebê. É raríssimo acontecer, e uma cesárea de emergência pode salvar a vida da criança. Há risco também em quadros de sofrimento fetal, quando a nutrição e a oxigenação do pequeno são insuficientes. Há mais perigo para filhos de mulheres fumantes, diabéticas, hipertensas e com problemas cardíacos. Outro gatilho pode ser o descolamento precoce da placenta, também mais comum nesse grupo de gestantes e naquelas que sofreram traumas na região da barriga. Um sinal de sofrimento fetal é a presença de mecônio (o cocô que o bebê faz dentro do útero) no líquido amniótico.
O que você pode fazer: é  bom ficar vigilante desde o início do terceiro trimestre. Sangramento, dor na barriga e diminuição na movimentação do bebê por mais de 12 horas são motivos para procurar um hospital. O exame do líquido amniótico e o cardiotocógrafo (aparelho que avalia os batimentos cardíacos do feto) indicarão se está tudo bem com o filhote.
...de morrer no parto
A maioria das complicações que ameaçava a vida das grávidas da geração das nossas avós é hoje contornável. Se o bebê for grande demais ou estiver em uma posição ruim que impeça o parto normal, por exemplo, dá para ver pelo ultrassom e tentar uma manobra na hora do nascimento ou optar pela cesárea. O que merece atenção especial é o risco de eclampsia. A causa não é de todo conhecida, mas os médicos acreditam que ela se manifesta quando o organismo materno ataca a placenta produzindo anticorpos contra ela. O problema pode se instalar a partir da 20a semana de gestação e desencadeia sintomas como hipertensão, retenção de líquidos, inchaço excessivo e alterações hepáticas e renais. É mais frequente entre grávidas com menos de 18 e acima dos 35 anos.
O que você pode fazer: procure imediatamente o obstetra caso note inchaço excessivo em pés, mãos e rosto. Descarte o cigarro, que aumenta o risco de complicações e prejudica a nutrição e a oxigenação da placenta. E, acima de tudo, organize-se para não furar no pré-natal. Se uma pré-eclampsia é diagnosticada cedo, dá para manter o mal sob controle. Agora, se você definitivamente não vive uma situação de risco dessas e, ainda assim, tem um medo exagerado de morrer no parto, a saída pode ser uma terapia. "Dependendo da intensidade dos temores, é o único jeito de restabelecer a calma", diz Eliane.

12 de agosto de 2013

Parto Domiciliar Planejado: algumas coisas que talvez você não saiba - por Ana Cristina Duarte

ANA CRISTINA DUARTE, OBSTETRIZ PELA USP E INSTRUTORA EM CAPACITAÇÃO DE DOULAS, É COORDENADORA DO GRUPO DE APOIO À MATERNIDADE ATIVA (GAMA).


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Vejo muita gente dando palpite sobre parto domiciliar, especialmente profissionais de saúde, onde demonstram claramente que não fazem a menor ideia do que estão falando. Ouviram um pássaro cantar e já vão falando que é o Galo da Serra, sem nunca terem nem ouvido esse canto, muito menos visto a espécie. Achei por bem enumerar alguns fatos sobre o parto domiciliar planejado (PDP) que podem derrubar alguns mitos.


1) Qual gestante pode ter um PDP?
Gestantes saudáveis, com pré natal sem intercorrências, com um bebê único, posicionado, com mais de 37 semanas, com trabalho de parto espontâneo (não induzido)

2) Até onde vai o PDP? Ou até quando a gestante não pode mais mudar de ideia?
Vai até onde estiver seguro e sem intercorrência ou sem suspeita de possível intercorrência. Batimentos cardíacos fetais normais, mãe em boas condições. A qualquer sinal de possível intercorrência, a opção de retaguarda será acionada e o parto passa a ser hospitalar. A gestante pode mudar de ideia a qualquer momento e ir para o hospital para analgesia ou o que mais quiser.

3) Como se sabe que está tudo bem?
Através dos controles periódicos dos batimentos cardíacos do bebê e dos sinais vitais maternos, o que ocorre durante todo o trabalho de parto.

4) Como esteriliza a casa ou o quarto para o parto?
Isso não existe, nem no hospital, nem em casa. O que se faz no hospital é a limpeza da sala entre um parto e outro com materiais de limpeza, mas a única coisa que é esterilizada no hospital é o que entra em contato com o parto em sim, com as cavidades, cortes, etc. Em casa é a mesma coisa, o que for entrar em contato com "aberturas corporais" estará esterilizado. A questão que preocupa na contaminação hospitalar é o contato da gestante com virus e bactérias que causam doenças e que sempre estão presentes em ambientes hospitalares. Em casa essas bactérias não existem, não houve cirurgias anteriores, tratamento de doentes, nada disso. 

5) Mas e o pós-parto? Como fica a bagunça do parto? Quem cuida do bebê?
Após parto a equipe limpa toda a casa e elimina todos os vestígios do atendimento, materiais com sangue, restos, etc.. Com relação ao bebê, assim como no hospital, após ser examinado e vestido, ele fica sob cuidados dos pais em alojamento conjunto, o mesmo ocorre em casa. Os profissionais farão as visitas pós-parto e estão de prontidão para uma visita imediata durante toda a semana posterior ao parto.

6) Quem é o profissional que atende esses PDP?
Enfermeiras obstetras, obstetrizes e médicos podem atender esses partos. Doulas não podem atender partos, elas podem dar assistência emocional, apoio, mas não atendem os partos. As equipes são compostas pelo menos de um profissional desses anterioremente citados, podendo chegar a três profissionais, sendo que todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal

7) Quais procedimentos podem ser feitos num PDP?
Nenhum procedimento. Para acelerar, induzir, usar fórceps, etc, a gestante é levada ao hospital.

8) O que esses médicos/enfermeiras/obstetrizes levam para o atendimento em casa?
Todo o material estéril (agulhas, seringas, campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico, etc).
Todo o material de reanimação neonatal (tapete aquecido, ambu, máscara, cilindro de oxigênio, material de aspiração, material de transferência, etc).
Todo o material para emergência pós-parto materna (soro, material de punção venosa, drogas anti-hemorrágicas, etc).

9) Tem ambulância na porta?
Não, nenhum país que tem atendimento de parto domiciliar tem ambulância na porta. Essa é apenas mais uma lenda urbana sobre parto em casa.

10) E se acontecer alguma coisa?
Vamos separar o que seria esse "alguma coisa", para facilitar.

a) Com o bebê: se precisar de reanimação, reanima-se em casa, como numa sala de parto qualquer, com ventilação positiva. São as mesmas técnicas e materiais. Mas e se for tão grave que precisar adrenalina? Bebês saudáveis, de pré natal saudável, em partos naturais de termo sem intervenção não necessitam adrenalina. Olhe retrospectivamente para todos os casos de adrenalina e você verá que eram partos prematuros, ou bebês doentes, ou partos absurdamente medicalizados. Se ele tiver alguma malformação inesperada e grave, ele será mantido sob ventilação e transferido para um hospital com UTI neonatal, tal qual se faz em qualquer hospital ou cidade onde não existe UTI neonatal.

b) Com o parto: se for parto pélvico de surpresa, deixa-se nascer com as técnicas normais de parto pélvico; se for distócia de ombros, resolve-se igualmente com as mesmas manobras hospitalares; se precisa de fórceps é porque já era um parto complicado, transfere-se ao longo do parto; se os batimentos não forem bons, transfere-se; se houver mecônio em baixa quantidade e batimentos normais, aguarda-se o parto; se houver muito mecônio ou batimentos anormais, transfere-se.

c) No pós parto: se houver hemorragia, corrige-se com ocitocina, ergotrate e reposição de líquido; placenta retida, transfere-se para remoção no hospital; atonia uterina não é uma entidade de partos normais sem medicalização, mas em tese tranfere-se também. Se houver laceração, os três profissionais têm autorização, técnica e material para suturar sob anestesia local em casa.

11) E dá tempo de resolver?
Os estudos internacionais sobre PDP com equipe experiente mostram que o risco de mortalidade/morbidade não muda em casa ou no hospital e que o PDP é uma opção segura para gestantes de baixo risco. Isso não quer dizer que nada pode acontecer. Mesmo em países com baixíssima taxa de mortalidade, cerca de 1 a cada 500 bebês não viverá fora do útero. E isso poderá acontecer em casa, no hospital, no Brasil, na Dinamarca, nos Estados Unidos.

12) Mas estar no hospital não faz tudo ser bem mais rápido?
Na prática e em geral não. Tirando raras exceções, uma cesariana "de emergência" vai ocorrer num prazo aproximado de 30 minutos, às vezes até 1 hora, às vezes mais. A maioria dos hospitais brasileiros não possui anestesista de plantão, ou não há um disponível e livre o dia todo, nem mesmo uma sala de cesariana pronta e reservada. A idéia de que o hospital é um lugar onde tudo está pronto e disponível é irreal e mora mais no imaginário popular do que no bloco cirúrgico.

Mais informações sobre PDP:


28 de fevereiro de 2013

Porque você provavelmente vai acabar numa cesariana - por Ana Cris Duarte

Além da desinformação, foi por tudo isso que cai numa cesárea...chega a dar nojo!
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Carta Fictícia escrita pela parteira Ana Cristina Duarte que fala sobre a realidade obstétrica Brasileira.

"Querida Amiga: saber da sua gravidez só me trouxe alegrias. Na verdade muitas alegrias e uma preocupação. Um dia o bebê vai nascer e eu temo pela qualidade desse nascimento, em tudo o que não depende de você e de sua vontade. Por isso eu queria aqui te contar porque é que você dificilmente escapará de uma cesariana, ainda que deseje ardentemente um parto natural/normal.
Bola de cristal? Imagina, você que pensa! Curso básico de estatística, terceiro ano colegial, lembra?
Primeiro vamos aos fatos. - A imensa maioria dos hospitais privados em nosso estado, em nossa cidade, têm por volta de 90 a 95% de cesarianas.- Tem três pesquisas científicas muito bacanas mostrando que 70% das mulheres querem parto normal. - E temos a Organização Mundial da Saúde dizendo que apenas 15% das mulheres precisam de cesárea.
Em algum momento, entre o começo do pré natal e o parto, as mulheres acabam na cesárea, não precisando e não desejando.


Por outro lado, vamos ao plano de saúde.
- Um médico de plano ganha por volta de 300 a 500 reais para realizar um parto.
- Supondo que ele esteja de plantão no dia e tenha que chamar um substituto para cobrir o plantão, ele vai pagar R$ 600 a R$ 800 para o substituto. Então ele já perdeu uns 200 a 500 reais para te atender.
- Se ele deixar de atender 6 horas de consultório por sua causa, são por volta de 20 consultas de 40 reais, assim por baixo. R$ 800 de prejuízo, no mínimo.
- Se ele tiver que pegar a estrada, pagar pedágio e chamar uma babá para dar conta das crianças, são R$ 300 reais.
- Portanto o fato é que parto normal, para os médicos de convênio, representa um prejuízo financeiro enorme.


E por fim, vamos à terceira questão. Eu chamo isso de "Fator Varella". Disse Drauzio Varella certa vez em entrevista à Revista Claudia:- Parto normal é muito chato. É muito mais fácil botar a mulher na maca e "Pumba!" fazer uma cesárea.


O fato é que muitos obstetras não querem mais atender partos normais. Fizeram tantas cesarianas que perderam a paciência e a mão. Sem essa vivência diária do parto normal, perde a capacidade de achar soluções e operam como solução para qualquer problema. 


Assim, acham que passar de 40 semanas, bebê grande, bebê de costas, bebê alto, tudo é indicação de cesariana. E a maioria das obstetras optou por cesáreas, para si e para suas parentes. Idem para os obstetras homens, em relação à suas mulheres. Portanto é claro que não irão fazer para você algo que consideram "pior" ou "mais arriscado".

Às vezes o médico tem um discurso maravilhoso, e até acho que pode ter boa fé. Mas no fim, com a barriga crescendo, a pressão do convênio, da rotina, da vida doméstica, e o imenso prejuízo financeiro que ele certamente vai levar atendendo seu parto, tudo isso vai fazer com que ele não tenha outra saída a não ser pedir um ultrasom com 37 semanas e descartar seu parto porque o bebê está grande/pequeno, você está gorda/magra, o líquido ficou muito/pouco, etc.. E sua cesárea será marcada, junto com outras 2 ou 3 clientes, para facilitar a vida nada fácil que ele leva.


Eu não acho que seja sacanagem dele. Acho que ele é apenas mais um elo enferrujado de uma corrente que não nos serve mais. Não tenho soluções fáceis para você, nem sequer garantias. Só queria que você entendesse que a sua vontade, frente a essa imensa engrenagem que são os planos de saúde, os hospitais particulares, os médicos cansados e sobrecarregados, não vai representar muito, na hora da decisão. A nossa vontade fica tão menor do que tudo isso, que ela não consegue fazer a roda da engrenagem girar no sentido contrário.

Seria preciso muito mais do que desejo. Se quiser qualquer ajuda para achar as saídas, as rachaduras do sistema, me fala, que eu vou gostar muito de te ajudar. E se decidir marcar sua cesárea, faça-o sem o famigerado sentimento de culpa, que em nada nos ajuda. Entenda os riscos, minimize-os o tanto quanto seja possível, e pronto.


A maternidade não se resume ao parto, nem é definida pelo parto, assim como um casamento não se resume à cerimônia, nem por ela é definido. Eles são os portais, e como tal, tem sua importância. O que se perde num nascimento de qualidade, nós podemos recuperar ao longo da vida. Cada um de nós sabe até onde consegue ir, quais leões gostaria de matar por um nascimento suave, respeitoso, delicado, amoroso, silencioso.
Vá até onde você deseja e saiba que estou ao seu lado, sempre. 


Um abraço forte!"

20 de janeiro de 2013

Tampão mucoso e o mecônio


Achei este texto muito interessante e gostaria de compartilhar com vocês. 

Tampão mucoso normal -google imagens


Por Dra. Betina Bittar

O tampão pode ser transparente e grosso como um catarro, pode vir acompanhado de estrias de sangue vivo ou de sangue escuro (coagulado), neste caso fica com um tom marrom. A descida do tampão corresponde ao aproximar-se do início do trabalho de parto, embora possa sair muitos dias antes do início do mesmo ou acontecer quando o trabalho de parto já se encontra em fase ativa.

Secreção esverdeada que sai pela vagina de uma gestante de termo é mecônio  que ainda não é indicação de cesariana, muito embora saibamos que o trabalho de parto de uma gestante com mecônio precisa ser acompanhado com mais atenção. As chances de um bebê apresentar desacelerações cardíacas compatíveis com sofrimento fetal são maiores num trabalho de parto com mecônio, pois o fato de ter mecônio significa que a vida dentro do útero está começando a ficar comprometida, a alimentação e oxigenação fetal já estão prejudicadas de alguma forma.Entretanto, mesmo assim, na maioria das vezes, o bebê pode suportar um trabalho de parto.
Existem diferentes intensidades de mecônio que classificamos em cruzes (de 1 a 4 cruzes): quando há muito mecônio são 4 cruzes, que também chamamos de "papa de ervilhas". Nesse caso, o líquido fica muito grosso e verde forte, de cor clara ou mais escura, dependendo da coloração do mecônio de cada bebê. O mais importante é obsevar a espessura do líquido, por isso o denominamos mecônio fluido ou mecônio espesso. O segundo é mais problemático, pois significa que o bebê eliminou maior quantidade de fezes e isto ocorre porque ele está passando por uma dificuldade maior dentro do útero. Além disso, se o mecônio espesso for aspirado pelo bebê no momento do nascimento pode levá-lo a adquirir uma pneumonia química. Na presença de mecônio espesso aspiramos o bebê assim que a cabeça sai pela vagina, antes mesmo do corpo sair e antes dele chorar. Entretanto, é frequente, durante o trabalho de parto, que apareça mecônio e o bebê nasce bem.

FONTE

11 de janeiro de 2013

Sexo durante a gravidez não induz o parto, aponta estudo




Manter relações é seguro, mas não tem qualquer efeito sobre a duração da gestação


Apesar das crenças populares de que fazer sexo durante os estágios mais avançados da gravidez podem antecipar o parto, um novo estudo conduzido por pesquisadores da Malásia afirma que manter relações sexuais não afeta a duração do período de gestação.

"Estamos desapontados. Não encontramos nada que sustente a associação", disse Tan Peng Chiong, professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade de Malaya e um dos autores do estudo. "Teria sido legal para os casais ter algo seguro e efetivo com que pudessem contar para antecipar o trabalho de parto se quisessem", completou.
Tan disse que a maioria das mulheres acredita que o sexo pode induzir ao parto, enquanto cientistas propuseram uma série de explicações biológicas plausívels para embasar a crença. Uma delas aponta que o semem contém uma substância hormonal chamada prostaglandina, que é usada para estimula o trabalho de parto a forma sintética. Outra indica que o orgasmo ativa contrações uterinas.
Para ele, porém, a crença provavelmente nasceu da "perpecpção popular de que sexo na gravidez pode ser inseguro para o feto e causar sua 'expuslão', apesar de todas as evidências provando o contrário." Mas poucos trabalhos pesquisaram se o sexo realmente pode induzir ao parto e as poucas evidências existentes são inconclusivas, afirmaram Tan e seus colegas no BJOG, publicação científica da área da ginecologia.
"A indução ao parto em gestações prolongadas é comum e muitas mulheres ficam tentadas por uma série de razões a querer encurtar o período de gravidez nos estágios mais avançados", completou Tan.
O estudo analisou 1,1 mil mulheres grávidas de 35 a 38 semanas (a gravidez geralmente dura 40 semanas) que não haviam mantido relações sexuais nas últimas 6 semanas. Cerca de metade delas ouviu do médico que manter a vida sexual ativa ajudaria a induzir o parto, enquanto a outra parte ouviu que sexo durante a gestação é seguro, mas seus efeitos não eram conhecidos.
Os pesquisadores monitoraram as mulheres para determinar quanto a gravidez durou e se foi necessária a intervenção médica para o parto. Eles descobriram, então, que 85% das foram aconselhadas a fazer sexo seguiram a indicação médica, enquanto as que não foram estimuladas também mantiveram relações.
Os índices de partos induzidos foram similares em ambos os grupos - 22% entre as que receberam conselhos, e 20,8% entre as que não receberam. A diferença, dizem os pesquisadores, é tão pequena que pode ter ocorrido ao acaso. A gravidez durou uma média de 39 semanas para ambos os grupos.
Jonathan Schaffir, professor da Escola de Medicina da Universidade do Estado de Ohio (Estados Unidos), disse que as descobertas são um bom indício científico de que o sexo não antecipa o parto. Ele acrescentou que o estudo indica que não há riscos em manter relações durante a gestação. "Mesmo que esse estudo não mostre nenhum aumento ou diminuição na taxa de indução de parto, ajudou a embasar a ideia de que fazer sexo é seguro", concluiu.

22 de setembro de 2012

Encontro do GAPP Luz da Vida - 22/09/2012

Hoje ocorreu o encontro do grupo com o tema sobre violência obstétrica. Assistimos um vídeo com a entrevista de profissionais da humanização, e com relatos de mulheres que sofreram violência obstétrica. Também assistimos um vídeo com a dramatização de uma violência no qual fica evidente o desrespeito que a parturiente e o bebê sofrem. Vimos um vídeo de cesárea e outro de um parto natural. Estavam presente a Ana Mello colaboradora do grupo, a Mari que carrega Davi em seu ventre, aluna do Espaço Bem Zen e minha doulanda/miga Mariana Machado com o pequeno Samuel. Mariana contou um pouco do parto humanizado que teve no Hospital Moinhos de Vento, de como se empoderou e não permitiu que fizessem procedimentos desnecessários e de como se sentiu com o apoio da doula. 
Enfim a tarde foi deliciosa, regada de muitas risadas e de uma conversa agradável! Adorei a presença de vocês meninas!

Venham conferir, compartilhem suas dúvidas, seus medos, suas experiências, os encontros que acontecem mensalmente. A próxima data já esta no blog! 



Samuel da Mariana com 7 meses- Lindo!

18 de setembro de 2012

UOL Mulher- Entenda o polêmico parto domiciliar e veja quem pode dar à luz dessa maneira


Maurício Horta
Do UOL, em São Paulo
Ana Cristina Duarte é uma parteira. Mas não daquelas do tempo de nossas avós. Ela é ativista de um movimento que defende a opção pelo parto domiciliar planejado. Nele, mulheres em gravidez de baixo risco dão à luz em casa, na companhia de quem escolher. Não é utilizado nenhum tipo de medicamento para diminuir a dor, a não ser métodos naturais de analgesia, como água quente, massagens e técnicas de relaxamento e de respiração. O parto também não é induzido com a administração do hormônio ocitocina –e, por isso, dura entre oito e 12 horas em mães de primeira viagem. Tudo fora do ambiente hospitalar.

É exatamente o fato de não acontecer em um hospital que colocou a classe médica contra a prática. Enfermeiros e obstetras são legalmente habilitados para assistir partos em casa, mas o Conselho Federal de Medicina considera mais seguro que ele seja feito no hospital. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) chegou a vetar que médicos no Estado assistissem partos domiciliares e a pedir à entidade paulista –o Cremesp– a punição do médico obstetra Jorge Francisco Kuhn, que defendeu a opção pelo parto em casa em entrevista ao programa "Fantástico" (Globo), em junho. A instrução do Cremerj contra o parto domiciliar foi derrubada pela Justiça do Rio de Janeiro e levou ativistas a marchas em 16 pontos do país.

"Nossa visão é a de que o parto domiciliar não é aconselhável", diz o obstetra Mário Macoto, do Hospital das Clínicas da USP. "Isso porque existem alguns imprevistos. Por exemplo, o prolapso do cordão (quando o cordão sai antes), um período expulsivo muito prolongado, a retenção de placenta, um sangramento importante. E quando a mulher chega a nós, chegam duas vidas que precisam ser cuidadas. A da mãe e a do bebê", diz Macoto.

Kuhn não concorda que haja perigo aumentado nos casos de gravidez de baixo risco. "Assisti 100 partos domiciliares e nunca precisei levar ao hospital quando houve prolapso do cordão ou descolamento da placenta”, diz Kuhn, que se tornou um “vaginalista” convicto após um período de estudos e plantões na Universidade Livre de Berlim, entre 1990 e 1991.

"Em 15 desses casos, houve remoção para hospital. Mas isso aconteceu pelo desejo da mulher, seja porque o trabalho estava muito estafante, seja porque pediu para ser anestesiada. Em nenhum deles houve cesária". Segundo Kuhn, casos de emergência são de apenas 1%.

Foi exatamente uma cesária desnecessária que levou Ana Paula Duarte ao movimento pelo parto domiciliar planejado. "O médico era um figurão da USP, mas não tinha tempo para um parto normal",  diz Duarte. Na segunda gravidez, ela procurou algum médico conhecido por fazer parto normal. Mas isso não é fácil no Brasil, o país com a maior porcentagem de cesárias no mundo, segundo a Unicef. Segundo dados do DataSUS, o número de cesáreas ultrapassou em 2009 o de partos normais –enquanto a OMS aconselhe que ocorra em apenas 15% dos casos.

Quando Ana Paula teve um parto natural, ele aconteceu em um hospital –um ambiente em que disse ter-se sentido sozinha, desamparada. Foi por isso que em 1999 começou a estudar e militar pelo parto humanizado. Tornou-se doula (uma pessoa que dá apoio emocional e físico para a parturiente) –e em 2008 se formou no curso de obstetrícia da Escola de Artes e Ciências Humanas da USP. Então, passou a assistir partos domiciliares e a enfrentar a oposição de parte da classe médica.
Meio-termo
Parto normal, natural, humanizado e domiciliar planejado. Todos esses tipos de parto são vaginais, e, como não envolvem uma cirurgia, têm risco de infecção hospitalar menor e recuperação mais rápida da mulher em relação à cesariana. Qual então a diferença entre eles?
O parto normal significa basicamente que é vaginal. Isso, no entanto, não significa que não haja intervenções médicas. Se a mulher sentir dores intensas, é aplicada anestesia. Para acelerar o parto, são administrados hormônios. Também é feita a episiotomia, caso necessário. Por outro lado, no parto natural, o papel do médico se resume a acompanhar o parto, e não induzi-lo.
Já o parto humanizado não é em si uma técnica, mas o controle das decisões sobre o parto pela mulher, e não pela equipe médica. Isso inclui a presença de acompanhantes, a escolha da posição em que se sentir mais confortável, a presença do bebê logo após o parto. Para isso acontecer sem pressão de tempo nem desconforto pelo ambiente hospitalar, alguns hospitais privados têm suítes de parto, e o SUS, as casas de parto.

Para Mário Macoto, o problema não é o "parto humanizado", mas o fato de o parto domiciliar não acontecer no hospital. "Nas condições em que vivemos, dificilmente a parturiente terá acesso da casa à sala do hospital em 10 ou 20 minutos."

Mas entre a ideia de um parto hospitalar humanizado e a prática existe ainda um abismo. São poucas as suítes de parto em hospitais privados e as casas de parto cobertas pelo SUS –em São Paulo são três na capital e nenhuma no interior.

Enquanto isso, discussão contra e a favor o parto domiciliar só esquenta. “Quando o médico se opõe ao parto domiciliar, baseia-se apenas em sua opinião, não em evidências científicas. O fato é que o médico é apenas um dos atores envolvidos no nascimento. Um ator com formação voltada à doença, não para a normalidade”, diz Ana Cristina Duarte.

Mas, afinal, como é um parto domiciliar planejado, em quais casos equipes de saúde o realizam e quais os seus riscos? Especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos respondem essas e outras perguntas a seguir.

A escolha
Uma vez interessada em um parto domiciliar planejado, a gestante e seu parceiro têm de procurar profissionais que ofereçam esse tipo de serviço: um obstetra ou enfermeiro obstetra, todos com qualificação formal para atender partos de baixo risco. Essa será a mesma pessoa que acompanhará o casal, desde o pré-natal até o pós-parto. Embora seja raro, médicos obstetras também podem fazer o parto domiciliar.

Para que possa atender em casa, esse profissional de saúde precisa ter bastante experiência acumulada. “Quando se formam, enfermeiras e obstetras ainda não estão preparados para assistir um parto domiciliar. Precisam obter muita experiência, o que ocorre integrando uma equipe ou trabalhando em hospital”, diz Nádia Narchi, coordenadora e professora do curso de obstetrícia da EACH-USP.

Segundo a enfermeira obstetra Priscila Colacioppo, no primeiro encontro, que dura por volta de duas horas, é explicado o que é o parto domiciliar planejado e suas condições. "É comum o parceiro estar meio ressabiado, mas o fato é que o homem é o nosso maior aliado no parto, quem mais compartilha. É o casal que dá à luz."
 O pré-natal
Depois do primeiro contato com o profissional escolhido, começa o pré-natal, com sessões mensais. O especialista fará uma análise da história da saúde da mulher, de sua família, de sua gestação e de seus fatores de risco. Além disso, é avaliada a existência de um hospital com maternidade e UTI para mãe e bebê a, no máximo, 20 minutos do local do parto, para ser possível um "plano B".

É montado um planejamento, formando-se a equipe que atenderá a ela e sua família. Segundo Ana Cristina, o único profissional obrigatório é o obstetra ou enfermeiro obstetra ou médico obstetra, mas ter uma doula pode ajudar muito. “Ela tem treinamento para dar suporte emocional, o que ajuda bastante a mãe”, diz a obstetriz.

Em parceria com o profissional escolhido, a mãe vai montar o "plano B" para ser acionado em caso de emergência, com opções de médicos e hospitais. Também com auxílio da pessoa que fará seu parto em casa, a futura mãe ainda decide em quais situações deseja ser removida para um hospital.

As consultas mensais de pré-natal são feitas paralelamente pela pessoa que auxiliará no parto domiciliar e por um médico escolhido pela gestante. Além de acompanhar a evolução da gestação, o objetivo desses encontros é estabelecer um vínculo emocional da gestante com as pessoas que estarão com ela no momento do nascimento de seu bebê.
ESTUDOS PELO MUNDO
No Canadá, uma pesquisa feita pela Universidade British Columbia, de 2000 a 2004, analisou nascimentos realizados de três formas: partos domiciliares planejados (2.889), partos planejados em hospital com parturientes nas mesmas condições exigidas para um parto domiciliar (4.752) e partos com participação médica (5.331).

A taxa de mortes perinatais por mil nascimentos foi de 0,35 nos partos domiciliares, 0,57 no hospital com parteiras e 0,64 entre aqueles feitos por médicos.

Em 2000, outro estudo realizado nosEstados Unidos e no Canadá levantou informações sobre 5.418 mulheres que escolheram fazer seus partos com obstetras qualificadas.

A taxa de morte perinatal foi de 1,7 por mil nascimentos, semelhante ao que acontecia em partos de baixo risco atendidos em hospital e não houve morte materna.
Chegou a hora
No caso de haver doula, é ela a primeira pessoa a ser contatada quando a mulher entra em trabalho de parto. Ela ajuda a parturiente a encontrar as melhores posições para o parto, formas de respirar e a auxilia com medidas naturais para aliviar a dor. Como o nascimento não será acelerado com a administração de ocitocina (hormônio que intensifica as contrações uterinas), sua duração varia de caso a caso.

Enquanto o bebê não nasce, a parturiente pode agir como quiser dentro de casa. “Pode ir ao chuveiro, caminhar um pouco, comer, beber, dormir, deitar com o parceiro, enquanto a equipe toda fica esperando, tentando não atrapalhar o casal”, fala Ana Cristina Duarte.

Quando aumentam as contrações, entra em cena o enfermeiro obstetra ou obstetra, que chega na casa com o porta-malas do carro cheio. “Trazemos materiais como equipamento para reanimação neonatal, hemorragia, sutura, anestesia local, sonar para ouvir o coração do bebê”, diz Ana Cristina.

Perto da hora de nascer, a equipe prepara um lugar para recepcionar o bebê. "Se ele nascer com necessidade de algum procedimento simples, tem um lugar aquecido com o material pronto para a emergência. Mas isso fica reservado, para que a mãe não precise ver”, diz a obstetriz.

Já a mulher faz o parto como preferir: pode ser em uma banqueta, sob o chuveiro, de cócoras, deitada. Quando o bebê nasce, ele é colocado no colo da mãe para ser amamentado, com mãe e filho ainda ligados pelo cordão umbilical.

Passada uma hora, com a placenta já expelida, é cortado o cordão. Feito isso, a pessoa responsável pelo parto examina o bebê, pesa, dá vitamina K para evitar hemorragia e pinga um colírio para evitar a conjuntivite do recém-nascido, problema comum em partos vaginais. Em duas ou três horas, a equipe vai embora, mas voltará para mais três visitas nos dez dias seguintes.
Quanto custa
Não há plano de saúde que cubra parto domiciliar. O que a mulher pode conseguir, no máximo, é que a empresa faça um reembolso. O preço dessa modalidade varia muito, dependendo da cidade onde acontece e dos profissionais envolvidos. “É comum fazer acordos, como permuta por serviços. Por exemplo, se a mãe for fotógrafa, pode ajudar a pagar com serviços de fotografia. Mas, em média, o custo varia de R$ 2.000 a R$ 5.000 pelo parto, mais as visitas pós-parto”, diz Ana Cristina Duarte.
Riscos
Os especialistas têm opiniões divergentes sobre os riscos do parto domiciliar, mas mesmo entre os favoráveis três pontos são unanimidade –só pode ocorrer se a mulher tiver um bom quadro clínico, se a gravidez for de baixo risco e se for viável um plano B. Entre os fatores de exclusão estão gravidez de gêmeos, mãe com problemas de saúde (doenças como diabetes, hipertensão crônica e infecções),  bebê com alguma anomalia ou fora da posição correta e parto prematuro.

23 de julho de 2012

Descolamento de membranas




Todos ouvimos falar em métodos de indução de parto, e um método que é feito muitas vezes sem o consentimento da gestante é o descolamento de membranas... e que as pessoas comentam, mas não sabem o que é! rss

Bom, a primeira coisa a se dizer é que o descolamento de membranas não tem nada a ver com o descolamento da placenta. O descolamento placentário é uma situação grave, muitas vezes causada por trauma, e que indica cesárea de urgência!!

Já o descolamento das membranas (ou descolamento da bolsa, como também é chamado) é um modo do médico induzir "naturalmente" o trabalho de parto de uma mulher. Esse descolamento é feito durante o toque vaginal, e necessita que a gestante tenha alguma dilatação para que o médico consiga realizá-lo.

O médico introduz o dedo indicador no colo uterino, e após identificar as membranas, faz movimentos circulares, para que as membranas se soltem... é um procedimento que tem ação mecânica sobre o colo do útero e que também ajuda a liberar prostaglandinas, substâncias responsáveis pela dilatação e afinamento do colo (e que também são encontradas no sêmen do maridão! Então vale namorar muuuuito no final da gestaão, viu, meninas?!!)

Geralmente, quando o médico faz o descolamento a mulher relata um incômodo. Muitas dizem; "o médico dessa vez, fez um toque mais doloroso e sangrou um pouquinho".... e isso é normal!!

O descolamento dá uma ajuda...mas não tem como dizer em quanto tempo a mulher irá entrar em trabalho de parto... Algumas entram no mesmo dia, outras não. É variável, de mulher para mulher!

É importante saber que como todo método de indução, o descolamento de membranas não deve ser um recurso usado rotineiramente e que se for feito, que seja feito após as 41 semanas... quando todos os outros métodos de indução são mais indicados (e depois de ter tentado os métodos naturais de indução)!! Ou então, quando já está num trabalho de parto mas mulher não quer ocitocina...

E também importante que vocês avisem seus médicos se querem ou não que eles realizem tal procedimento. Muitos médicos fazem, sem avisar ou só avisam depois que fizeram, e muitas gestantes não gostam disso, se sentem invadidas e prejudicadas por essa ação..

Beijos

Renata Olah -fisioterapeuta e doula

19 de julho de 2012

A cultura da cesárea e a violência obstétrica


O quê é isso?? O quê está acontecendo?? Que frio!!! Que claridade!!! Quero voltar pro meu  mundo.... ME DEVOLVEM!!!!

Não basta para a mulher ter formação em saúde para escapar do modelo biomédico de assistência do sistema obstétrico brasileiro. As mulheres, em sua grande maioria, nem mesmo podem ter o conforto de confiar na equipe de saúde para ser assistida humanamente. Digo humanamente, embora muitas nem saibam que, na verdade, gostariam de ser ouvidas e tratadas de maneira humanizada, ou melhor, todas esperam que as coisas assim aconteçam, todavia nem todas entendem a dimensão de um trabalho de parto, de um parto, de um nascimento, de uma amamentação e por isso se esquecem de clarear esses assuntos para si mesmas, pensando que todas as coisas se encaixarão no momento certo. E aquelas que possuem o conhecimento, às vezes não têm o suporte necessário para atender seus anseios e nem a liberdade para protagonizarem suas vidas. As vontades, as necessidades, os receios se perdem em meio à violência obstétrica. As mulheres são silenciadas.

A violência inicia-se no momento em que a mulher escolhe a cesariana como modo de ter o seu filho. (Na verdade, já é uma violência pensar que existem duas opções de parto: o normal e a cesariana.) É a violência de exercer poder sobre a natureza, sobre a fisiologia do corpo humano e sobre o próprio bebê. Essa violência é praticada pela futura mãe e apoiada pelo obstetra ou outro profissional envolvido, até mesmo pela família e pelo cônjuge; ou é sugerida pelo médico e aceita pela mulher; ou ainda, é justificada pelo médico, apesar da tristeza da gestante. Essa última, a violência da “escolha” do obstetra gera uma obrigação de escolha pela mulher e causa duas violências: sobre a mulher e sobre o feto. E vai desencadeando cada vez mais violências: é o médico conduzindo a vida da gestante. A mulher agora não sabe de mais nada. E culmina na própria cesárea que é a violência física na mulher e no bebê. A cirurgia violenta o mundo do bebê e o retira brutalmente de seu aconchego. A cesárea não espera seus pulmões amadurecerem. O médico corta o cordão umbilical imediatamente após o nascimento, não deixando fluir o aporte necessário de oxigênio da mãe para o filho. A enfermeira introduz sondas para aspirar o conteúdo gástrico e o nariz, pinga um colírio nos olhos do bebê, aplica uma injeção em sua coxa, o encosta por dez segundos no rosto da mãe e some com ele para o berçário, onde ficará com outros bebês tão sozinhos quanto ele: violentamente retirado de dentro da mãe e dos braços dela. Daí lhe será negado o peito pela própria instituição de saúde: o bebê receberá fórmula artificial ou glicose por mamadeira.

A maioria dos profissionais são “os especialistas”, sempre focados no que os interessam, no que diz respeito ao que eles conhecem, e na função que devem desempenhar como tais, comprovando o que a atual sociedade espera deles. As mulheres confiam e se entregam plenamente aos cuidados médicos sem nem ao menos questioná-los ou questionar-se, sem assumirem a responsabilidade por suas vidas e de seus bebês. Cometem uma violência contra si mesmas. E de violência em violência, acabam traumatizadas com uma experiência que deveria libertá-las e torná-las verdadeiras fêmeas, mulheres completamente poderosas. Afinal, tantas mulheres tiveram seus filhos naturalmente por séculos, por que agora seria diferente? E, ainda, os médicos enganam-se a si mesmos e a outrem com mentiras sofisticadas (entende-se por justificativas para intervenções sem cientificidade, obsoletas e/ ou necessidade), temendo a incompetência como profissionais e mantendo-se em suas zonas de conforto.

É sabido que há a divulgação de fatos, relatos e experiências de partos, que gritam a realidade obstétrica brasileira, que sangram da alma de muitas mulheres. Mas por que o universo social a nossa volta não enxerga isso? Porque é difícil desconstruir a relação de poder de quem teoricamente detêm o conhecimento, o chamado embasamento científico. Porque as pessoas sentem-se confortáveis em terceirizar o parto e o nascimento, sendo uma preocupação a menos. Porque as pessoas guardam apenas informações que despertam o seu interesse e estejam de acordo com a maneira como desejam conduzir suas vidas, marcando cesáreas desnecessariamente ou aceitando qualquer justificativa "médica" para a realização das cesarianas.

A cesariana é uma violência para o bebê e até mesmo para a mãe, que inocentemente quebra seu vínculo com o próprio filho em nome do receio à dor. A cesárea arranca o bebê bruscamente de dentro do útero, sem aviso prévio, sem esperar que ele esteja preparado. Daí vem o sofrimento respiratório e a má adaptação à vida externa. Ter um parto natural é um ato heróico, onde a mulher dá prioridade para o nascimento do seu filho. Preferir uma cesárea é colocar a vida do filho em risco. É se sentir confortável e poder descansar enquanto o bebê está sufocando. É deixar que separem um do outro por horas, depois de terem estado juntos por tantos meses, obrigando o bebê a ficar sozinho e inseguro. É quebrar o vínculo com o próprio filho. É favorecer acontecimentos tristes, de não-amor e não-segurança para o bebê. É não reconhecer o bebê como o filho que gestou por tanto tempo. É sentir uma tristeza profunda e inexplicável no peito. É talvez acordar tarde demais para melhorar a experiência de se tornar mãe. É ter uma cicatriz no ventre e na alma.

Simone Menzani Marin

Mãe do Rodrigo, de 1 ano e 8 meses, retirado por cesárea eletiva, por fragilidade minha e neutralidade médica.
Publicado também no Parto do Princípio

17 de junho de 2012

Encontro do GAPP Luz da Vida dia 16/06/2012

Encontro maravilhoso com a presença de duas doulandas, Letícia e Thays, que tem a DPP bem parecidas! Mas nada de pânico meninas, rs. Além de 2 casais queridos que vieram a convite da doulanda Thays. E claro estavam presentes minhas apoiadoras, a Jornalista Jeane Bordignon e a instrutora de yoga Ana Mello. Ou seja, bombou o encontro!!! Amei receber todos vocês, espero revê-los outra vez!







21 de abril de 2012

Profissão de doula ganha lugar no mercado

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O momento de dar à luz uma criança é sempre motivo de preocupação para as mulheres. Quem espera um filho idealiza como será o grande o dia, se fará uma cesária ou um parto normal. Nenhuma mãe quer que esse seja apenas mais um procedimento de rotina: tem que ser um momento especial. Para tornar esse desejo possível, novas profissionais estão fazendo sucesso no mercado de trabalho. São as doulas, trabalhadoras especializadas na humanização do parto, ou seja, voltadas à garantia do bem-estar, do respeito, da calma e até da redução das dores na hora de trazer o bebê ao mundo. Com curso de formação específico para a atuação, as doulas cobram de R$ 300 a R$ 1,7 mil por cada concepção que ajudam a realizar e podem utilizar os conhecimentos na área como complementação de outras carreiras.

Normalmente, essas especialistas são médicas, enfermeiras, professoras de educação física, ioga ou pilates, nutricionistas ou de outra área de formação afim. Qualquer mulher com mais de 18 anos pode fazer o curso. “A capacitação para as doulas engloba algumas técnicas (veja quadro), como posições que podem aliviar as dores. São métodos não farmacológicos que podem tornar o momento menos traumático”, relata Daphne Rattner, professora da área de saúde coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora executiva da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (Rehuna).

Além disso, quem ingressa nessa carreira pode ajudar a mudar o entendimento mecanizado sobre o parto, ainda presente em livros e equipes médicas. “Alguns obstetras com muito tempo de profissão adotam a metáfora de ‘motor, objeto, trajeto’ para as etapas de um parto. O motor é o útero, o objeto é o bebê e o trajeto, o canal vaginal por onde a criança sairá. Mas, na verdade, quem está trabalhando ali, naquela hora, também é humano, não se pode pensar assim. E as doulas mudam isso desde o pré-parto até os primeiros momentos da amamentação”, analisa Daphne Rattner .

E foi ao perceber essa realidade, ainda durante o curso de graduação, que Clarissa Kahn, 30 anos, decidiu se tornar doula. Psicóloga e educadora perinatal, ela conta que resolveu colaborar na mudança daquilo que via nas maternidades. “Sempre gostei da área materno-infantil . Fiz estágio em hospitais, e a forma como mães eram assistidas no momento da concepção me incomodavam bastante. A falta de respeito e o excesso de intervenção médica nas escolhas das mulheres eram algumas das minhas principais preocupações. Então, decidi fazer o curso e me formar doula também”, conta.

Após 10 anos atendendo a grávidas, a também coordenadora do Espaço Acalanto conta que tem um preço pré-definido para realizar o atendimento, mas que as tarifas dependem do pacote que a mãe deseja fechar e das condições expostas por cada casal. Clarissa ministra cursos de cuidado com o bebê e com a amamentação, faz todos os acompanhamentos e cobra de acordo com o solicitado. Embora ela coordene a clínica, suas clientes são conquistadas por meio de indicações ou após consultas.

Reconhecimento

Atualmente, as doulas podem abrir uma clínica, atender em casa ou se filiar a profissionais que lidem diretamente com as grávidas e as indiquem. Mas, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde reconheçam as vantagens da presença da doula na hora do parto, ainda não há um reconhecimento da profissão. Por isso, elas não podem ser contratadas em hospitais. Trabalham por meio de contratos formais ou acordos com os futuros pais. “Quem abre uma clínica exclusivamente para esse fim terá que contar com outras parceiras, pois as grávidas começam a ser atendidas no sétimo ou no oitavo mês e, a partir daí, há um acompanhamento até o pós-parto. Por isso, só é possível atender de quatro a cinco parturientes por mês. As interessadas precisam analisar quanto desejam ganhar e como vão gerir essa clínica”, aconselha Renata Beltrão, pedagoga especialista em saúde perinatal, educação e desenvolvimento do bebê e representante brasileira na Rede Latino-americana de Doulas.

Estima-se que hoje existam cerca de 1.500 mulheres atuando no setor. Ao apresentar esse dado na 3ª Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, que aconteceu em novembro último, em Brasília, Renata Beltrão pediu e conseguiu apoio para pleitear a inclusão das profissionais no Manual de Ocupação Brasileiro. “Não é difícil. Basta que tenham mais de 200 pessoas trabalhando na área. Hoje, trabalhadoras como parteiras e manicures, por exemplo, já estão incluídas”, observa. O documento deve ser encaminhado para o Ministério do Trabalho entre abril e maio deste ano e, se aprovado, vai possibilitar que elas possam ser contratadas mediante a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e que tenham reconhecimento.

Nos Estados Unidos, as contratações em hospitais privados são comuns. Para exercer a ocupação, as doulas norte-americanas recebem uma certificação que precisa ser atualizada a cada dois anos. Segundo Renata Beltrão, a intenção é que esse nível de reconhecimento chegue ao Brasil. “Só no Doularte, onde ministro aulas, recebo 20 pessoas mensalmente querendo fazer o curso. Como a procura por esse tipo de trabalho tem aumentado, a demanda pelo aprendizado também cresceu muito. O reconhecimento será fundamental para nós”, pontua.

Além disso, a regulamentação pode diminuir a resistência que as direções de hospitais ainda têm de aceitá-las em salas de parto. Em Brasília, as maternidades já estão conscientes da importância das doulas, mas, em outras regiões, há médicos que ainda se opõem ao parto humanizado. Embora esse procedimento possa ser realizado em casa, as grávidas que desejarem ter a estrutura de um hospital com o acompanhamento de sua doula precisam ter esse direito. “Elas são o apoio da mãe. É importante lembrar que essas profissionais não fazem parto ou qualquer outro procedimento cirúrgico. O apoio fornecido por elas é apenas emocional e de indicações para melhorias físicas”, complementa Daphne Rattner.

Incentivo estatal

Em 2003, o Ministério da Saúde desenvolveu um programa de treinamento de doulas comunitárias. Dois anos depois, 370 mulheres já estavam treinadas em 13 estados brasileiros. A ocupação não era muito conhecida naquela época, mas Recife, Belo Horizonte e Fortaleza deram continuidade ao incentivo da atuação e, hoje, têm hospitais com excelência no tratamento às gestantes. Todas são voluntárias e trabalham em um regime de 12 horas de plantão por semana.

Conhecimento

Conteúdos que uma doula aprende antes de atender as futuras mães:

» Cultura do parto

» Humanização do parto baseado em evidências científicas, com base em referências da Organização Mundial de Saúde (OMS)

» Rotinas hospitalares

» Tipos de parto

» Oficina de sexualidade

» Revisão da anatomia feminina e da fisiologia do parto

» Métodos de alívio farmacológico e não farmacológico da dor

» História da doulas e evidências científicas

» Cuidados que a doula oferece (apoio emocional no trabalho de parto, técnicas de relaxamento, exercícios para o períneo, respiração e visualização, exercícios, posições e massagens que facilitam o trabalho de parto, contato pré e pós-natal, a ética do cuidado)

» Nutrição no trabalho de parto

» Lutos e perdas no parto

» Revisão do desenvolvimento fetal

» Recepção do bebê na primeira hora

» Amamentação na primeira hora


  *Fonte: Diário de Pernambuco