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8 de agosto de 2012

INDICAÇÕES REAIS E FICTÍCIAS PARA A CESÁREA


Uma lista super importante feita pela Dra. Melania Amorim e ampliada pela parteira (obstetriz) Ana Cristina Duarte. Fiquem atentas mulherada!!! Mais informações reais, informativas e baseadas em estudos bem feito aqui: http://estudamelania.blogspot.com.br/

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INDICAÇÕES REAIS E FICTÍCIAS PARA A CESÁREA

Algumas indicações de cesariana

REAIS

1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;

2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;

3) Placenta prévia parcial ou total (total ou centro-parcial);

4) Apresentação córmica (situação transversa);

5) Ruptura de vasa praevia;

6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.



PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA EQUIVOCADA

1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);

2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);

3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma.

SITUAÇÕES ESPECIAIS EM QUE A CONDUTA DEVE SER INDIVIDUALIZADA, CONSIDERANDO-SE AS PECULIARIDADES DE CADA CASO E AS EXPECTATIVAS DA GESTANTE, APÓS INFORMAÇÃO

1) Apresentação pélvica;

2) Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – variando de 0,5% - 1% - deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia);

2) HIV-AIDS (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos.


Algumas desculpas frequentemente utilizadas pelos profissionais para realizar uma DESNEcesárea (em ordem alfabética)


1.   Abdominoplastia prévia
2.   Aceleração dos batimentos fetais
3.   Adolescência
4.   Ameaça de chuva/temporal na cidade
5.   Anemia falciforme
6.   Anemia ferropriva
7.   Anencefalia
8.   Artéria umbilical única
9.   Asma
10.    Assalto ou outras formas de violência (gestante ou familiar foi vítima de assalto, então o bebê pode ficar estressado)
11.    Bacia "muito estreita" 
12.    Baixa estatura materna 
13.    Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso 
14.    Bebê alto, não encaixado antes do início do trabalho de parto
15.    Bebê profundamente encaixado 
16.    Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto 
17.    Bebê "grande demais" (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal). 
18.    Bebê "pequeno demais" 
19.    Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe) 
20.    Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal) 
21.    Cesárea anterior 
22.    Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma 
23.    Circular de cordão, uma, duas ou três "voltas" (campeoníssima - essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso) 
24.    Cirurgia gastrointestinal prévia 
25.    Colestase gravídica 
26.    Colo grosso, colo posterior, colo duro, colo alto
27.    Colostomia 
28.    Conização prévia do colo uterino 
29.    Constipação (prisão de ventre) 
30.    Cálculo renal 
31.    Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra) 
32.    Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século) 
33.    Diabetes mellitus clínico ou gestacional 
34.    Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto e antes da dilatação de 8 a 10 cm
35.    Dorso à direita, dorso posterior, ou dorso em qualquer outro lugar
36.    Edema de membros inferiores/edema generalizado 
37.    Eletrocauterização prévia do colo uterino 
38.    Endometriose em qualquer grau e localização 
39.    Escoliose 
40.    Espondilite anquilosante 
41.    Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas
42.    Exérese prévia de pólipos intestinais por colonoscopia 
43.    Falta de dilatação antes do trabalho de parto
44.    Feto com "unhas compridas" 
45.    Feto morto 
46.    Fibromialgia 
47.    Fratura de cóccix em algum momento da vida 
48.    Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come) 
49.    Gestação gemelar com os dois conceptos em apresentação cefálica 
50.    Gravidez não desejada 
51.    Grumos no líquido amniótico 
52.    HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto) 
53.    Hemorroidas 
54.    Hepatite B e hepatite C 
55.    Hiperprolactinemia 
56.    Hipertireoidismo 
57.    Hipotireoidismo 
58.    História de cesárea na família 
59.    História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez 
60.    História de depressão pós-parto 
61.    História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior 
62.    História de trombose venosa profunda 
63.    História familiar de fibrose cística do pâncreas
64.    Idade materna "avançada" (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos) 
65.    Incisura nas artérias uterinas (pesquisada inutilmente, uma vez que não se deve realizar dopplervelocimetria em uma gravidez normal?) 
66.    Infecção urinária 
67.    Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês "superdesejados" teriam melhor prognóstico com a cesárea) - motivo pelo qual esses bebês aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal 
68.    Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem) 
69.    Laparotomia prévia 
70.    Líquido amniótico em excesso
71.    Malformação cardíaca fetal 
72.    Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio) 
73.    Miscigenação racial (pelo "elevado risco" de desproporção céfalo-pélvica) 
74.    Neoplasia intraepitelial cervical (NIC) 
75.    Obesidade materna (ou magreza)
76.    Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana 
77.    Parto "prolongado" ou período expulsivo "prolongado" (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia. Na curva de Zhang o percentil 95 é de 3,6 horas para primíparas e 2,8 horas para multíparas) 
78.    “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas) 
79.    Placenta grau III ou II ou I ou qualquer outra classificação
80.    Plaquetas baixas não oclusivas do colo do útero
81.    Possível falta de vaga em maternidade para um parto normal, caso a gestante não marque a cesárea
82.    Pouco líquido no exame ultrassonográfico (sem indicação no final da gravidez em gestantes normais)
83.    Praticar musculação ou ser atleta 
84.    Pressão alta 
85.    Pressão baixa 
86.    Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina 
87.    Prolapso de valva mitral 
88.    Qualquer grau de placenta 
89.    Qualquer malformação fetal incompatível com a vida 
90.    Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez 
91.    Sedentarismo 
92.    Septo uterino/cirurgia prévia para ressecção de septo por via histeroscópica
93.    Ser bailarina 
94.    Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico 
95.    Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia 
96.    Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)
97.    Tabagismo 
98.    Trabalho de parto prematuro 
99.    Trombofilias 
100.    Varizes uterinas 
101.    Uso de antidepressivos ou antipsicóticos                                     
102.    Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada 
103.    Varizes na vulva e/ou vagina


14 de agosto de 2011

Cesárea: indicações reais e indicações desnecessárias

Leio em comunidades, em entrevista e mesmo escuto algumas pessoas dizendo: "Como você sabe disso?Você não é médica! O médico sabe o que está fazendo!" . Isso é verdade...ele sabe muito bem o que esta fazendo, colocando medo nas mães por motivos, já comprovados, irreais para indicar uma cesárea! Na minha opinião, o obstetra que indica uma cesárea, sem a menor necessidade, está cometendo um crime. Colocar a vida de 2 pessoas (mãe e bebê) em risco, por comodidade, por conveniência ou por motivos financeiros, é um ABSURDO sem tamanho!! Do mesmo modo como submeter as mulheres em trabalho de parto a intervenções desnecessárias! Mas já que não sou médica, deixo aqui uma lista disponibilizada pela Dra. Melania Amorim. Ela possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (1989), residência médica em GInecologia e Obstetrícia pelo IMIP (1992), mestrado em Saúde Materno Infantil pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (1995) e doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (1998). Pós-doutorado concluído em 2009, também pela Universidade Estadual de Campinas. Pós-doutorado na Organização Mundial de Saúde (OMS) em Genebra (2009).  Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) por concurso (1992).


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Algumas indicações de cesariana DURANTE O TRABALHO DE PARTO:
REAIS
1) Prolapso de cordão;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo;
3) Placenta prévia parcial ou total;
4) Apresentação córmica (situação transversa);
5) Ruptura de vasa praevia;
6) Herpes genital com lesão ativa.

PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA ERRADA:
1) Desproporção céfalo-pélvica;
2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é “freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora”, exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);
3) Parada de progressão.

CASOS DISCUTÍVEIS (o efeito benéfico da cesariana não foi demonstrado em longo prazo, as evidências não são suficientes, devendo-se individualizar os casos):
1) Apresentação pélvica;
2) Mais de uma cesárea anterior;
3) HIV-AIDS.

NÃO SÃO INDICAÇÕES DE CESÁREA (lista enorme, posso ter esquecido algumas ou várias):
1) Circular de cordão;
2) Oligo-hidrâmnio;
3) Polidrâmnio;
4) Gestação prolongada (42 semanas ou mais);
5) Parto prematuro (abaixo de 37 semanas);
6) Macrossomia fetal (salvo, excepcionalmente, filhos de mães diabéticas com mais de 4,5kg);
7) Restrição do crescimento fetal;
 Pressão alta;
9) Pressão baixa;
10) Cesárea anterior;
11) Adolescência;
12) Idade igual ou superior a 35 anos;
13) Primiparidade;
14) Multiparidade;
15) HPV ou condiloma sem provocar obstrução do canal de parto;
16) Mioma que não funciona como tumor prévio;
17) Gestante baixa demais ou magra demais;
18) Obesidade materna;
19) Bacia estreita sem a prova de trabalho de parto;
20) Parto ou período expulsivo prolongado sem sinais de comprometimento materno ou fetal.

Outras não-indicações de cesárea podem ser conferidas em um tópico anterior:
Indicações das “desnecesáreas”[http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=59895&tid=9328604]
Lista elaborada por Dra. Melania, na comunidade Cesárea? Não! Obrigada…