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18 de maio de 2013

Encontro do GAPP dia 18/05/13 - com Letícia de Oliveira

Tivemos 3 ilustres visitas neste encontro, que foi muito especial. Poder rever Letícia,  seu marido e a fofura da Alice, já com 9 meses, foi maravilhoso. Também estavam presentes minha doulanda Liége, com 14 semaninhas de gestação, a querida Leila que é professora de Yoga do espaço Bem Zen e minha querida parceira Ana Mello, também professora de Yoga, terapeuta flora e mestre em Reiki.
Assistimos o vídeo e fotos do parto da Letícia, que foi humanizado no hospital Divina Providência, assistido pela médica Ana Claudia Codesso. Ela compartilhou a sua experiência, como se sentiu e o que sentiu no parto e depois com o nascimento da pequena Alice. Agradeço pela presença,  porque sei como  é complicado se deslocar com bebês. Mas adorei revê-los, a Alice ta muito esperta, sorridente, linda!

Quem não foi, não pode perder o próximo!




20 de abril de 2012

Relato da cesárea de Érian e do nascimento da princesa Ester




Érian entrou em contato comigo pela internet (facebook ou e-mail, não lembro), quando estava com 24 semanas. Disse que gostaria do acompanhamento de uma doula e que gostaria que seu parto fosse domiciliar. Me contou que tinha uma cesárea anterior de 6 anos. Depois de mais algumas conversas ela decidiu que eu seria sua Doula.

Demorou um pouco para nos encontrarmos, até tentamos nos falar pela webcam, mas não conseguimos. Sempre me mandava noticias de como estava, como tinham sido as consultas no posto de saúde. Nesta época havia entrado em contato com uma equipe de parto domiciliar da capital,  e uma parteira. Mas não deu certo devido aos valores e condições de pagamento.

Decidimos procurar hospitais que deixariam pelo menos a doula entrar, fomos sondando e ficamos com 3 alternativas, mas a melhor opção seria o hospital de Clínicas. Um dia Érian me enviou uma mensagem dizendo que havia encontrado uma equipe numa cidade próxima. Ela estava ansiosa pelo encontro com a médica. Nesta época ela já estava com 35 semanas de gestação. A médica disse que não poderia assumi-la de imediato, pois viajaria, e talvez quando ela voltasse Ester já teria nascido. Mas combinaram de se falar na volta, se caso não tivesse ocorrido o parto. E assim foi. Érian e Fernando estavam muito satisfeitos com a conversa, e felizes, pois conseguiriam o parto domiciliar tão esperado.

Fomos nos encontrando e conversando sobre alguns aspectos do parto, intercorrências, plano B, e outras coisas. Creio que no total foram 5 encontros maravilhosos, e recheados de muita alegria. Quando Érian estava com 39-40 semanas fui pintar sua barriga, para guardarmos uma lembrança especial, e foi uma tarde fabulosa.

Estávamos só aguardando Ester dar sinal de que estava vindo, enchermos a banheira, que foi emprestada de uma amiga, e aproveitar o momento mágico que é o nascimento de uma criança. Mas nesta ultima mudança de lua, Érian me chamou no facebook e deu a má notícia...A equipe que assistiria o parto dela, não o iria fazer mais. Foi um choque! No dia seguinte fui vê-la e estava visivelmente abalada...
Disse à ela que não importava, que nós iriamos  para o hospital escolhido, que tem suite individual, com bola, cavalinho, ducha quente, “humanizado”, e que tudo daria certo. Érian não tinha medo de não conseguir, mas sim da equipe que a atenderia no hospital, e se eles a respeitariam.

Poucos dias depois da triste notícia, ela entrou em fase latente, com cólicas e dores nas costas. Uma amiga dela, que aplica acupuntura, deu uma força, estimulando alguns pontos. Contrações a cada 15 minutos, às vezes encurtavam, mas espassavam novamente. Érian contava elas a cada 3 minutos. Como eles moram a 1 hora da minha casa, decidi ir lá e partejar.Cheguei pelas 15 horas, e as contrações estavam a cada 15 minutos mesmo. Decidimos ir na Adriana fazer outra sessão de acupuntura para ver se engrenava. Érian ainda estava chateada pelo seu desejo de ter um parto domiciliar não ter acontecido. Depois da sessão as contrações começaram a vir a cada 7 minutos. Fernando fez uma torta de atum com azeitona e pimenta maravilhosa. Comemos muuuito!

Érian tentou descansar, mas não conseguiu. Foi para ducha e lá ficava um tempo, saia, ia para bola, e assim ficou. Pelas 12 hs da noite fomos todos tentar dormir. Érian já estava com contrações a cada 5 minutos, e não conseguiu dormir, relaxar. Pelas 4 hs as contrações começaram a ficar de 4 em 4 minutos e querer diminuir mais o intervalo. Érian e Fernando temeram em sair muito tarde, pegar trânsito e ter a possibilidade de Ester nascer no carro. Quase 6 hs da manhã saímos em direção ao Hospital de Clínicas. Mas no carro as contrações aumentaram de intervalo. Me dei conta de que talvez devessemos ter ficado mais tempo em casa...

Chegamos ao hospital e Érian começou a fazer a ficha, e foi para sala de avaliação. Fui com ela e Fernando aguardou no corredor. Foi preenchida uma ficha e perguntado sobre sua césarea, sobre o pré natal, exames, etc. Nisso entra uma academica. A médica fez um toque e disse que ela estava com 6 cm. Ficamos felizes. Depois veio outra médica, fez as mesmas perguntas e fez outro toque...na verdade eram 4 cmde dilatação. Ai começou a complicar. A médica alegou que como Érain tinha uma cesárea, mesmo sendo de quase 7 anos, ela deveria ficar o TP todo no monitoramento contínuo ( MAP). A indignação da minha doulanda era visível.

No quarto tentamos argumentar sobre o MAP, mas nada. Fernando ainda aguardava para entrar. Eis que surge um “pelotão” dentro do quarto, dois médicos, que ainda não tinhamos conhecido, e uns 5 acadêmicos de medicina. Érian respondeu a várias perguntas, foi avaliada por um enfermeiro (eu acho), que ficava com a mão na barriga vendo a dinâmica das contrações por 10 minutos....aff! Isso era desconfortável e Érian não estava gostando nada (eu menos ainda). Ela perguntou a médica- professora se realmente teria que ficar no MAP, pois sua cesárea era muito antiga.  A médica disse que não havia a necessidade e que pediria para deixarem ela caminhar, usar a bola...mas isso não aconteceu.  A primeira médica que a atendeu veio conversar com ela e explicar a “ imprencidível” necessidade dela ficar sendo monitorada frequentemente. Tentei argumentar, mas quase fui expulsa do local. Na realidade, minha presença incomodava muito a equipe que estava lá. Resolvi me acalmar e ficar quieta, para não correr o risco de minha doulanda ficar sem suporte.

Logo depois disso Fernando chega, e contamos tudo o que estava acontecendo. Chegou uma hora que ela queria ir no banheiro e teve que implorar para tirarem ela do MAP.  Gente sem noção, desumana ao cubo. Mas eis que às vezes surgiam enfermeiras maravilhosas e tentavam ajudar.Quando conseguimos tirar Érian do maldito MAP, disse a ela que ficasse o máximo possível no banheiro. Mas sempre, a cada hora, religiosamente a colocavam no MAP, faziam o exame de toque, às vezes dois de uma só vez, e ficam apalpando a barriga para ver a porcaria da dinâmica! Olha que saco viu! As contrações espassam sempre que entrava algum chato para fazer não sei o quê....que merda tá?! Tô puta com isso. O desrespeito era claro, e não acatavam nada do que ela pedia.

Cansada, com fome, sendo invadida o tempo todo, Érian começou a travar. Fernando e eu tentávamos animá-la, mas estava claro o cansaço, a indignação, a frustração. Estávamos sendo engolidos pelo sistema. Os médicos estavam sem paciência, porque ela não dilatava do jeito e no tempo que eles queriam. Ai começaram as intervenções. Primeiro rompimento artificial da bolsa. As contrações apertaram um pouco, fomos para ducha graças ao anjo chamado Sandra, enfermeira, que foi falar com a medica para pedir autorização. Mas 1 hora depois de novo o MAP, toque, etc, etc, etc. Depois nada de evolução, a opção ocitocina e remedinho para dor. Ai ficou punk!  E a ordinária da médica, ainda alertou, “se não dilatar nada em uma hora vamos ter que fazer cesárea!”. Em uma hora Érian dilatou meio dedo. A médica, cara de pau, deu o diagnóstico de desproporção céfalo- pélvica, com 6 dedos de dilatação....olha que merda!

Érian sabia que era mentira, mas sabia que não conseguiria mais vencer o sistema. Aceitou a cesárea dolorosamente imposta! Fernando e Érian queriam que eu ficasse com eles durante a cirurgia. Ela na verdade não queria ver nada de tão chateada que estava, mas  falei para não fazer isso... Uma enfermeira, charope,  disse que eu não podia ficar durante a cirurgia, porque não tinha mais utilidade, e que eles precisavam controlar o ambiente...acho que sou leprosa, só pode!

Mesmo assim, com todo este desrespeito, Ester nasceu muito bem, às 18:29 do dia 10 de abril, pesando 3390 gramas e medindo 51 cm de puro charme! Linda demais. Ester mama que é uma beleza. Agora estão só no aguardo para ir para casa.

Minha flor Érian, te agradeço por me deixar te auxiliar neste momento de alegria que é o nascimento de um filho. Foste guerreira, aguentou coisas que muitas não teriam aguentado. Não fique triste, agora é cuidar da pequena Ester e da fofura da Máh! Vou estar contigo, te apoiando sempre!

Fernando, também te agradeço! Deste toda força possível a Érian, e não esmoreceu um minuto sequer. Te agradeço muito mesmo!

OBS: Me desculpem os palavrões, leitores do meu blog. Mas tô de cara com tudo o que aconteceu...muito irritada, querendo fazer horrores....querendo matar 3!!! Este é um relato indignado de uma mulher, de uma mãe, de uma doula...

12 de fevereiro de 2012

Relato de Parto da Mariana pela Doula



Mariana e eu nos conheçemos a mais ou menos 6 anos. Fomos colegas na prefeitura e ambas cursavamos Nutrição na época. Quando Mari anunciou a gravidez, fiquei muito feliz! Pois ela foi uma da pessoas que mais me deu força na gestação do Bernardo (não planejada), e desde então sempre mantívemos contato.
Com 34 semanas, se não me engano, Mariana entrou em contato comigo, para falar da escolha pelo parto normal, e que foi graças as informações que disponibilizo no blog, que ela desistiu da cesárea agendada. Conversamos sobre a GO dela, dos desejos que ela tinha em relação ao parto, e disse que a Dra. se mostrou bem atenciosa ao seu desejo. Combinamos então, de nos encontramos para falarmos um pouco mais sobre o meu trabalho. No dia que nos encontramos, conversamos a tarde toda, e ela me disse que era “fraca” para lidar com a dor, e que tinha medo de não conseguir supera-la. Tranquilizei - a, olhamos alguns videos e documentarios, e ficamos de nos falar. Ela iria falar com o marido, e comunicar a GO que tinha uma doula.
Quando nos encontramos de novo, Mariana contou que a GO adorou saber que ela tinha uma doula, e mandou pedir para que ajudasse o Samuel a descer, isso por volta das 36 semanas. Ele já estava encaixado. Disse também que a médica sairia de férias dia 12/ 02, e deu opções se a Mari quisesse que o parto acontecesse com ela, que poderia induzir, já que estava com 2 dedos, ou fazer cesárea. Mas Mari não topou. Nesse dia deixei a bola suiça com ela, mostrei alguns exercícios, e conversamos sobre o plano de parto. Também notei o quão cansada Mari estava, mas também, a mulher não para um segundo!!! Sempre trabalhando!
Fomos em busca de outros GO’s que atendecem o plano dela, para ela não precisar pagar por fora. Mas todos que encontravamos iriam sair ou sairam de férias. Nesta semana, na ultima consulta (acho que foi terça), a GO indicou seu colega obstetra para a Mari. Fiquei receosa, pois não ouvi coisas boas deste GO. Mari só sabia que teria o Samuel do jeito que ela se preparou, nada mais, mas dava uma insegurança pensar em ficar sem suporte.
Haviamos combinado de nos encontrar mais uma vez, pois o tampão estava saindo, e combinariamos mais algumas coisas, pensei e fazer faria uma massagem, a relaxaria bastante e talvez conseguiria conversar com o pai do Samuel (ele tb não para!). Mas não conseguiamos.
Dia 10/02, aniversário do meu afilhado, eu não estava muito bem, e resolvi descansar depois do almoço, pois senti que a Mariana (com quase 40 semanas) me chamaria para dar noticias! Dito e feito. Mariana me ligou as 16 hs preocupada com o pouco sangue que estava saindo. Tentei tranquiliza-la e disse que era normal perder um pouco de sangue, mas se quisesse falar com o GO para se tranquilizar, que o fizesse. Liguei para ela depois, ela disse que o médico aconselhou ela a ir no hospital fazer uma avaliação, mas que não iria, porque eu já tinha dito a ela que era normal, e que ficou tranquila assim. Disse para ela me ligar se notasse alguma evolução, e as contrações.
Alguns minutos depois ela me ligou dizendo que estava com muita vontade de fazer coco, e que as colicas vinham a cada 5 minutos. Perguntei se ela queria que fosse até ela (moramos bem perto), e ela disse que não, mas foi um não com duvida, e disse que logo estaria com ela. Aconselhei a  ir para o chuveiro e tentar relaxar com a água.  Peguei minha roupa, coloquei mais alguns coisas que faltavam na minha malinha de doula, tomei um banho e fui. Cheguei na casa dela pelas 16: 30 hs, e a acompanhei no banho, a água realmente estava deixando ela mais relaxada. Começamos a controlar as contrações. Achei muito rapido a evolução, pois as contrações estavam com intervalo de 3 minutos, com duração de 1 minuto, pouco mais.  Não sei dizer quanto tempo ficamos no chuveiro, mas foi bastante.

Mari caminhando
Perguntei a Mari se ela queria sair do chuveiro, para eu massagear a lombar e os pés, ela concordou. Mari suportava muito bem as dores, e dizia que doia na hora, mas que depois era como se tivesse tirado a dor com a mão. Ela foi ótima, ficou firme, e acalmava a familia que estava nervosa e pediam que fosse ao hospital, mas ela dizia que não estava na hora.
Depois de mais um tempo chamou o marido, para ele se arrumar e colocarem as coisas no carro. Todo o tempo Mari rebolava, ia para bola e, eu fazendo massagem na lombar, e nos ombros. Teve um momento que as contrações se expaçaram, mas logo voltavam ao ritmo de antes, intervalo de 2-3 minutos, com duração de 1 minuto.

indo para o hospital
Saimos para o Hospital Moinhos de Vento pelas 20 hs. Mariana quis ir na frente, e atras fomos  eu e a mãe dela. Quando vinha uma contração eu massageava um ponto de do-in, entre as sombrancelhas, que relaxa bastante. Chegamos em 20 minutos, fomos a maternidade mas só pode entrar o Alex, pai do Samuel, que estava bem nervoso, rs.
Ficamos nós duas, vó e doula sem noticias por 1 hora, quando resolveram nos deixar passar para a sala de espera (enorme por sinal), e de lá poderiamos ver o Samuel depois. Creio que já era 21:30 neste momento. Resolvi ligar para o Alex e perguntar com a Mari estava, e aflito me respondeu que ela havia entrado na sala de avaliação, mas que não tinham deixado ele entrar ainda. Depois de alguns interminaveis minutos, liguei novamente e a mesma resposta.
Lá pelas 22:20 Alex me liga e diz para eu descer um andar e ir ver a Mari, finalmente  o médico havia autorizado. Cheguei lá coloquei os pró- pés, e fui para a salinha. Estavam com ela o Alex e o Dr. , que disse que ela ja estava com 9 dedos de dilatação. Pediu que quando viesse uma contração que ela ajudasse, e pelo que entendi, ele estava tirando um rebordo, que estava dificultando a passagem. Logo vieram os puxos um atrás do outro. O Dr. foi buscar o anestesista, e Mariana não sabia se queria ou não. Estava cansada, mas seu semblante era sereno. Mari disse que o médico queria colocar ocitocina, mas ela não quis, e ele acatou. Aconselhei a Mari a ficar em pé, e se acocorar durante as contrações, para ver se o Samuel descia um pouco mais. Ele logo iria coroar.
Logo chega o médico com o anestesista, que se apresentou e pediu para eles, Mari e Alex, irem a sala de parto. Perguntei a enfermeira se podia ir junto e ela disse que não (normas absurdas do hospital). Sai e fiquei na salinha de fora. Liguei para a vó do Samuel, e disse para ela ficar comigo, que Mariana já estava pronta e era questão de pouco tempo para o bebê nascer. Em seguida chegaram os pais do Alex e aguardaram conosco.
Pelas 23:20 hs, Alex ligou e deu a noticia que tanto esperavamos. Samuel havia nascido!! Corremos para o andar de cima para conhece-lo. O pai todo babão, trouxe o embrulinho lindo de viver. Lindo, um anjo! Samuel ficou ali no berçário, recebendo as intervenções de rotina, e o banho. Alex não desgrudava, conversava e beijava o amado filho. Depois de 1 hora o anjinho foi para a mãe.

Samuel recém nascido
Soubemos depois que não havia quarto disponível, e que não poderíamos vê-los onde estavam. Os pais do Alex foram para casa. Tempo depois Alex decidiu ir para casa, nos levar e comer algo. Não pude ver Samuel e Mari ainda, mas assim que forem para casa, vou afofar o pitoco da doula, e abraçar e conversar com minha amiga.

Mais tarde, Mari me ligou para contar como foi, e disse que o médico, nao colocou ocitocina, nem fez episio, mas que ela precisou de uns pontinhos. Que deixou o cordao pulsar alguns segundos e o pai o cortou. Que recebeu a analgesia, mas que nem era preciso, pois logo em seguida Samuel estava nascendo. Disse com muita satisfação, que recebeu um ótimo atendimento e que foi respeitada pelo médico e pela equipe. Me agradeceu pelo apoio, e me disse que havia doido, mas depois que o Samuel nasceu, se sentiu em plenitude. E que ele estava mamando muito bem. Ela também comentou, que o médico dela insistiu para enfermeira me deixar entrar na sala de parto, mas a enfermeira disse que não podia fazê-lo, devido as normas do hospital. Aff!


Como fiquei feliz em ouvir isso! Não tem preço poder auxiliar uma mulher a passar com tranquilidade o nascimento de seu filho, e o seu desabrochar como mãe.
Agradeço demais a Mariana e ao Alex, por terem me dado a oportunidade de acompanhar esse momento unico na vida de um casal. Mari, minha amiga, foste ótima, tens uma força incrivel e em momento algum se deu por vencida.  Alex, obrigada por tudo, também foste ótimo, e deu muito apoio a Mariana.


Samuel mamando

Doula Feliz!!

Doula feliz, feliz!  

26 de janeiro de 2012

Relato do Pai - VBA3C


Minha amiga Alê, gravida de seu segundo filho, havia pedido ajuda para encontrar relatos de parto sob a vista paterna. Sendo assim, me surgiu a ideia de postar os relatos que eu encontrasse, que não são muitos os disponíveis aqui no blog do grupo e no meu, A Doula Nutri. Aproveito e peço aos pais que leem o blog, que se quiserem me mandem o relato do nascimento do filho, ou filha. Desta forma, mais pais vão ter consciência de dar apoio as esposas é FUNDAMENTAL! E que não é loucura optarmos por parir nossos filhos naturalmente. Enfrentem os médicos e familiares pela saúde e bem estar destas 2 pessoas, que vocês amam tanto! Se informem junto com elas, questionem junto com elas!!
Quero agradecer a Larissa, por ter permitido a divulgação do relato do marido aqui no blog!
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**** Esse relato foi escrito pelo Rafael poucos dias depois do nascimento do Francisco****

Relatar a experiência sublime do nascimento de um filho é uma tarefa no mínimo desafiadora.  Para que seja possível expressar parte do que senti é necessário voltar alguns anos no tempo, e aí vai:
Desde muito cedo, 12 ou 13 anos, casar, ter minha casa, carro e muitos filhos. Tendo esse objetivo em mente sempre me preocupei em reconhecer o memento certo e a pessoa certa com a qual realizaria meus sonhos familiares.  Aos 21 anos conhecia a Larissa.  Por incrível que pareça, foi fácil reconhecer naquela moça a mulher da minha vida.  Não me pergunte como, eu só sabia.  Aqui começa a história dos “meus partos”.  Começa antes mesmo de nos casarmos.  Luiza (12) na época tinha 4 anos, linda, esperta e muito carinhosa, me surpreendeu quando em uma das vezes que saímos, perguntou se poderia me chamar de pai.  Lembro da alegria que senti e do amor que explodiu no meu coração naquele momento, um amor incondicional, sem espaço para mantê-lo dentro de mim. Abracei a Lu e disse que sim.  Era tudo o que eu queria ouvir.  Um “parto do coração”, meu primeiro, lindo e emocionante.
Nos casamos e poucos meses depois estávamos grávidos.  Nem tudo são flores na vida de casado.  Foi uma gravidez difícil entre as mudanças de humor e não saber o que esperar no próximo minuto.  Mais uma vez se sobressaiu o amor que temos um pelo outro.  Embora houvesse o esboço de uma idéia de parto normal, lembro do comentário que sempre fazíamos: “Prato normal! Normal mesmo é fazer cesárea, ter um filho sem ter que sentir toda aquela dor, por tantas horas!”.  Realmente o parto do Henrique (6) foi um parto rápido e lindo.  Dra Gisele foi quem o trouxe ao mundo, tive o privilégio de assistir, meu coração mais uma vez encheu-se de amor.  Olhei para o Henrique e para a Larissa e agradeci a Deus pela família que estávamos aos poucos formando, cheia de amor e carinho.  Foi lindo, meu segundo parto, cesárea.
Depois de 4 anos, indo contra muitas pessoas, decidimos engravidar e assim foi.  Uma gravidez bem mais fácil quanto ao que esperar, as mudanças repentinas de humor foram melhor compreendidas, mas os desconfortos físicos, dores e até paralisia facial foram desafios superados juntos.  Aquela idéia de parto normal deixou de ser somente uma idéia.  Vi minha esposa procurar informações, estudar e compreender os benefícios de um parto natural.  E ela entendeu direitinho!  Não lembro exatamente quando ela me contou sua idéia de um parto normal domiciliar.  Lembro bem do quê pensei: parto normal?  Em casa?  Parteira?  Doula?  Ai, ai, ai...  Que medo eu tive!
Não foi muito difícil me convencer da idéia.  Difícil foi engolir o custo de tudo isso.  Embora tivéssemos convênio, nenhum médico de convênio faria um parto normal depois de duas cesáreas, muito menos em casa.  Foram meses frustrantes, procuramos uma parteira.  Embora o custo dela não fosse tão alto, não tínhamos um centavo.  Embora pudéssemos pagar em parcelas “suavemente”, não tínhamos tido coragem de propor uma forma de pagamento.  Vi o entusiasmo dela se apagar e levar junto o meu.  Embora tivesse sido um momento frustrante, estávamos felizes.  Dr. Osmar foi quem trouxe nosso Pietro (2) ao mundo.  Mais uma vez assisti o parto, mais uma vez foi rápido, muito rápido, porém dessa vez pude cortar o cordão.  Foi uma experiência muito legal.  O Pietro era lindo e estava bem.  Nossa família crescendo e feliz!  Foi assim meu 3º parto, cesárea, eu cortei o cordão.
Mais um ano e meio se passou e antes da  concepção de nosso próximo filho, concebemos a convicção de que seria um parto normal.  Deixou de ser uma idéia, um desejo, um plano.  Passou a ser “O Plano”.  Vi a Lá buscar por alguém que tivesse disposição de entrar no barco conosco, e por incrível que pareça foi um desafio encontrar alguém (mesmo entre os adeptos à idéia) que topasse, depois de três cesáreas fazer um parto normal, agora já não precisava ser necessariamente domiciliar.  Aliás, depois dos riscos que disseram que correríamos, era melhor um parto normal hospitalar.  Ainda assim, encontrar alguém disposto a fazê-lo, não foi fácil.  Com 17 semanas a busca começou.  Depois de várias situações, conversas frustrantes e desencorajamento, ao contrário do que esperávamos, às 36 semanas não havia nada decidido.  Nossa situação financeira não era tão diferente de 2 anos atrás quando tivemos o Pietro.  As pessoas das quais esperávamos apoio, haviam pulado do barco antes mesmo de subir nele, talvez tenham achado a capitã muito frágil, talvez a convicção do marinheiro e a confiança em sua capitã não tenham sido o bastante.  Ou mesmo a idéia de entrar num barco com uma tempestade anunciada tenha sido assustador.  “e se algo ruim acontecer?”, “e se o seu bebê morrer, mãe, o que a senhora vai fazer?”. Tantos E SEs, foram dias de tempestade antes de nos lançarmos ao mar, uma viagem obrigatória, não havia outra alternativa.  Foi quando vi minha moça decidir que teria um parto normal no Hospital Geral P, isso mesmo, um hospital público, contando como um amigo falou “uma mentirinha que Deus perdoa”. Iríamos para o hospital quando as contrações estivessem uniformes, 14 por hora, e diríamos que era nosso 4º filho.  O histórico dos partos seria de 2 normais e o último cesárea.  Decisão  tomada, coração um pouco menos apertado, um pouco menos aflito e muito mais confiante, embora ainda temeroso.
Trinta e nove semanas e 4 dias, estava no trabalho quando a Lá me ligou dando risada: “a bolsa estourou!”.  Os risos foram por que aconteceu quando o técnico da máquina de lavar estava em casa.  Imagino a Lá tentando disfarçar enquanto procurava uma brecha para verificar se estava tudo bem e se limpar.  Sabia que nossa viagem havia começado.  Estávamos sozinhos na jornada.  Não fiquei nervoso, aos olhos dos outros estava até calmo demais. Quando cheguei em casa tudo estava bem.  As contrações estavam ficando mais próximas, as crianças bagunçando como sempre, jantamos pizza, pusemos os menores para dormir.  As contrações já estavam mais fortes, estava na hora de irmos para o hospital.   A Lá foi no banco de trás gritando com o rosto enfiado na cadeirinha do Pietro a cada contração.  Brigando para que eu dirigisse mais devagar, embora estivesse a 30km/h em ruas livres em que poderia andar a 60km/h.  Chegamos ao hospital, um rápido ping-pong  de uma para outra portaria, em pouco tempo estávamos em frente ao consultório ginecológico.  A cada contração uma rápida sessão de massagem no coxci. Quando entramos na sala e a médica examinou a Lá descobrimos que ela estava com apenas um centímetro de dilatação.  Percebemos que seria um trabalho de parto longo.  A Lá ficou surpresa e sua primeira frase foi “Não acredito!  Tanta dor por tão pouco.”.  Pensei “A noite vai ser longa”.  A Lá foi encaminhada para uma sala onde a colocaram no soro sem ocitocina, como ela pediu.  Foi o único momento em que pediram que eu ficasse fora da sala.  Foi muito difícil.  Sabia que ela estava com dor e queria estar perto, mesmo que não pudesse fazer nada além de estender a mão cada vez que as contrações viessem (como a Lá disse, “aquelas das boas”).  Nesse momento percebi que não havíamos entrado no barco sozinhos.  Estávamos na tempestade, mas não à deriva.  Nosso Pai Celestial estava conosco e estava mandando seus anjos para nos orientar e ajudar.  Enquanto estava lá fora, aflito por não estar perto da Lá, uma enfermeira se aproximou e disse que eu deveria entra e ficar perto da minha esposa.  As enfermeiras haviam me dito para esperar do lado de fora, ela porém disse que eu deveria entrar e que falaria com as outras. Fui ficar com a Lá e pude novamente estender a mão e acariciar seu rosto. Chegamos ao hospital pouco antes das 22 horas.  Uma hora e meia depois a bolsa de soro estava vazia e fomos encaminhados para a sala de cardiotoco, onde conhecemos mais um anjo do Senhor, a Bel.  Acho que esse foi o momento mais difícil para nós dois.  Estávamos sozinhos na sala que era bem pequena, a cada contração a Lá gritava cada vez mais alto, sei que estava doendo tanto que ela falou várias vezes em desistir, em fazer uma cesárea, pediu várias vezes que eu chamasse a enfermeira, a médica, queria e queria acabar com o sofrimento.  Lembro de incentivá-la a se manter firme, que tudo estava correndo bem.  Tentava lembrá-la de respirar fundo e prestar atenção aos movimentos de nosso bebê.  Orei pedindo que o Senhor amenizasse sua dor e nos desse forças para ir em frente.  Terminado o exame voltamos para o consultório e a médica nos informou depois de examinar a Lá que a dilatação estava em 3 cm.  Mais uma vez a Lá se desesperou.  Mais uma vez “tanto por tão pouco”.  Mais uma vez eu procurei ajudá-la com palavras repletas de esperança, “tudo vai dar certo”.  Mais uma vez o pedido de cesárea e mais uma vez a médica num ato de firmeza e ao mesmo tempo apoio, disse que ninguém faria cesárea nela.  Lembrou-a que já tinha tido 2 partos normais e perguntou se ela tinha esquecido.Nos entreolhamos e sorrimos afinal “já tínhamos tido dois partos normais”.  Me dei conta de que não havia mais volta, nessa viagem não havia como retroceder.  Orei novamente para que tivéssemos forças.  Ouvi a Bel conversando com a médica que disse ser hora de transferir a Lá para outro hospital, pois não havia leito disponível.  Mais uma vez, por seu anjo o Senhor mostrou estar do nosso lado.  A Bel recusou-se em fazer a transferência, disse que eles tinham leito sim, que a dilatação da Lá estava evoluindo muito bem e que a levaria para o Centro de Parto.  A médica concordou desde que a Bel assumisse a responsabilidade e assim foi. Enquanto a levava, a Bel pediu que eu fosse buscar a etiqueta de acompanhante e então subisse para ficar ao lado da Lá.  Eu até acreditei que seria fácil assim.  Quando cheguei no balcão e informei o que queria soube que teria que esperar até que fosse feita a internação no Centro de Parto para depois preencher os papéis necessários e então ser liberado para subir. Embora não estivesse confortável com a situação, decidi esperar pacientemente.  Mais uma vez orei por paciência, orei para que a Lá estivesse bem, para que o Senhor a confortasse.  Senti que o Senhor estava próximo de nós quando vi a Bel e ela perguntou o que eu estava fazendo lá ainda.  Contei o que havia acontecido e ela rapidamente providenciou a etiqueta de acompanhante dizendo que minha esposa precisava da minha companhia, que eu devia subir e ficar ao seu lado.  Agradeci ao Senhor pelas respostas rápidas às minhas preces.  Quando cheguei ao quarto ela estava na cama.  Aprecei-me para ficar ao seu lado.  As contrações estavam cada vez mais fortes.  Ela apertava minha mão e eu a dela tentando dar apoio.  Por muitas vezes sorrimos e entre os sorrisos uma piadinha ou outra.  Seu corpo estava trabalhando atendendo aos seus pedidos de que nosso bebê nascesse logo. Ela gritou que queria cesárea, gritou que estava ardendo, disse estar cansada, pediu que chamasse alguém, que as dores e a ardência passasse, pediu que o Senhor estivesse ao seu lado, que não a deixasse e em todos esses momentos pedi que o Senhor estivesse conosco, que tudo corresse bem, que o Senhor os deixasse viver, que os “E SEs” não acontecessem.
Pensei várias vezes que tudo que estava acontecendo, fomos nós quem quisemos e me perguntei se tudo acabaria bem.  Seria muita felicidade se tudo desse certo, se tudo corresse bem.  Será que merecíamos tanta felicidade? Orei para que esse sentimento passasse e para que tudo ficasse bem. Prometi que se o Senhor ficasse do nosso lado eu estaria do lado Dele para sempre.  Me segurei para não chorar tentando passar uma imagem forte e confiante.  Por muitas vezes senti o Senhor nos consolar, um sentimento de paz, as palavras da mãe da garota que estava em trabalho de parto do nosso lado “depois que você tiver seu bebê toda dor vai passar, nasceu acabou”. Entre uma contração e outra, agora mais próximas, olhava para minha moça, aquela pela qual me apaixonei há 8 anos, tornando-se mulher, mãe, de uma forma diferente do que havia visto, uma força de vontade incrível.  A convicção do que queria confiante.  Minha admiração chegou em um ponto que nunca achei ser possível, meu amor e compreensão do milagre da vida.  Pedi a Deus que tudo corresse bem e nos deixasse compartilhar a vida juntos.  Outras contrações vieram.  Procurei estar ao seu lado da forma que pude. 
Dos 6 cm de dilatação aos 10 tudo foi tão rápido quanto intenso.  Numa das contrações chamei a enfermeira Karla que veio logo e nos disse que se a Lá fizesse força na próxima contração ela faria o parto.  Foi um momento de muita emoção, nosso bebê estava perto.  A contração veio e eu a vi fazendo força como nunca havia visto.  Era nosso bebê, que embora estivesse trabalhando e fazendo sua parte para nascer, precisava muito de ajuda para nascer.  A cada força eu, por pura empatia, fazia força junto, procurava incentivá-la com palavras de apoio e lembrá-la de respirar.  O cansaço era nítido entre as contrações, mas quando a enfermeira me chamou e mostrou o topo da cabeça do nosso bebê a emoção tomou conta de mim.  Lembro de dizer que faltava muito pouco, que ele precisava de mais uma força.  A Lá disse que não ia conseguir, porém mais uma vez eu tentei incentivar “Força!  Tá acabando, só mais uma, ele precisa da sua ajuda”, e junto com ela, juntos até o fim, fizemos a ultima força, a derradeira.  Assim que saiu a cabeça, a Karla puxou-o e aí sim, nasceu nosso Francisco.  Lindo!  A emoção que senti não tem explicação. Olhei para minha mulher aliviada, cansada, feliz e agradeci à Deus por ela ter conseguido, sua persistência, vontade, força e amor.  Os primeiros cuidados foram dados ao Francisco e logo ele veio ficar ao nosso lado.  Ele é lindo, tudo foi lindo.  Agradeço à Deus por tudo ter dado certo.Assim foi NOSSO quarto parto, Francisco, parto normal, Larissa foi quem o trouxe ao mundo.  A realização de um sonho mostrando que tudo é possível àquele que crê, tudo é possível em quem nos fortalece.
Lá, eu te amo.  Obrigado por me deixar fazer parte da sua vida, vê-la junco com o Francisco e Nosso Pai Celestial operarem o milagre da vida, o nosso pequeno milagre.  Te admiro por tudo o que você é e por me deixar ser ao seu lado o pai de nossos filhos, cada um tão especial quanto o outro, amados e queridos para esta vida e para toda a eternidade.


Rafa