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20 de outubro de 2011

Trabalho de parto - parte 5

O período expulsivo

O expulsivo é o período do parto em que o bebê efetivamente nasce. Para fazer isso, ele precisa girar, pois o canal de parto não é um tubo reto, e sim um caminho tortuoso e cheio de obstáculos. As imagens abaixo mostram como o feto gira e se encaixa na pelve para então nascer:



Enquanto faz este percurso, o corpo do bebê é apertado no canal de parto, ele é todo "espremido", como uma esponja, e se esvazia de tudo que estava dentro de seus pulmões e estômago.

É importante lembrar que os órgãos reprodutivos da mulher têm uma capacidade elástica muito grande. O útero vazio não mede mais de 8cm de diâmetro, e se expande para sustentar um bebê, sua placenta e líquido amniótico, que às vezes passam dos cinco kilos. A vagina da mulher também faz coisas incríveis. É um espaço virtualmente inexistente, ou seja que só existe quando preenchido. Quando não tem nada dentro, as paredes da vagina se tocam. Quando inserido um dedo, ela tem o tamanho de um dedo, e ela se adapta exatamente à forma e ao tamanho do que a preenche, inclusive um bebê!

Além disso, o corpo da mulher produz um hormônio chamado relaxina, que "amolece" seus ligamentos e permite que até certos ossos fiquem flexíveis! Assim, a pelve da mulher também dilata para permitir a passagem do bebê. E a cabeça do bebê também se modifica para passar pelo canal de parto, ela estica. É para isso que ela tem aquelas partes moles, as fontanelas.



Resumindo: mãe e bebê vão adaptar seus corpos para o nascimento, e ambos são feitos de forma que seus corpos voltem ao normal depois.

Ouvimos muito falar em lacerações e cortes necessários para passar o bebê. Efetivamente, às vezes eles ocorrem. Na maioria dos relatos que li, eu percebi uma relação entre o fazer força na hora do expulsivo, e a posição do parto, e a presença de lacerações. A mulher só deve fazer força quando sentir vontade, na posição e do jeito que sentir vontade. E, se não fizer força e apenas relaxar, o parto ocorrerá mesmo assim, pois o corpo trabalha quase que independentemente da vontade da mulher nesse ponto do TP. É importante não inibir a mulher que sente vontade de fazer força: nessa hora, quem manda é o instinto.

A saída do bebê é marcada por sensações novas, que a mulher nunca experienciou na vida até então. Algumas mulheres comparam certos aspectos do nescimento à aspectos da vida sexual, e algumas chegam a sentir muito prazer nesse momento. Na maioria dos relatos, as mulheres dizem que a dor das contrações passa para um segundo plano, outras dizem que cessa, e que as sensações são completamente diferentes.


A descida da cabeça do bebê termina com a coroação, quando o topo da cabeça aparece do lado de fora. Esta parte do canal de parto é a que tem os músculos mais fortes, e às vezes a mulher tende a contrair esses músculos por causa da dor que está sentindo. Isso dificulta a passagem do bebê, aumenta a dor e as chances de lacerações. A mulher deve tentar relaxar ao máximo a vagina durante a passagem do bebê. Uma boa têcnica é falar AAAAAAAAAAAAAAAAA!, pois, ao relaxar a garganta, a mulher relaxa também a vagina.

A coroação do bebê também é chamada de círculo de fogo, pois a sensação é de ardor, como quando tentamos fazer sexo sem a devida lubrificação. Algumas mulheres sofrem mais do que outras nesse momento. Após a passagem da testa do bebê, porém, o diâmetro da cabeça vai diminuindo e o círculo de fogo vai passando.

Na maioria dos partos, o bebê para com a cabeça para fora e o corpo ainda dentro da mãe. Ele sairá na contração seguinte, que pode demorar alguns minutos. Os ombros saem um de cada vez e, depois que passam, o corpo sai de uma vez, como um sabonete molhado! Pluft! E a dor cessa. Completamente.

Em seguida, se a família estiver em um hospital humanizado, ou em casa, o bebê será colocado diretamente encima da barriga da mãe, e um fenômeno interessante ocorrerá.


ocitocina endógena, que estava sendo produzida em grandes quantidades para aliviar a dor, agora está sendo produzida sem que haja dor, e acontece o que se chama de pico de ocitocina. Esse pico de ocitocina produz uma sensação de imenso amor e prazer, a sensação de se apaixonar, que, juntamente com o alívio pela dor ter acabado e da alegria pela chegada do bebê, criam o que Michel Odent, obstetra francês, chama de momento ideal para o estabelecimento do vículo mãe-bebê. Ainda ligados pelo cordão umbilical, pulsando juntos em uma euforia física e mental, eles se olham e se conhecem, o bebê recebe seu nome e seu lugar, a mulher vira mãe e o homem, pai. Mais nada será como antes...

Ao expulsivo, segue-se a dequitação da placenta.

O Trabalho de Parto - Parte 4

A fase de transição

A fase de transição é um momento muito interessante do parto. Ela dura relativamente pouco tempo, quando comparada com as duas fases que a precederam: começa quando a mulher tem lá pelos 7 ou 8 centímetros de dilatação e termina quando atinge a dilatação completa, que é de 10 centímetros "oficialmente". (eu digo oficialmente, porque essa é uma média, algumas mulheres dilatam mais do que isso. Mas é o tamanho mínimo que os médicos exigem para a expulsão do bebê.)


Essa fase é marcada por um fenômeno muito interessante, que já começa no final do TP Ativo. Por causa dos níveis deocitocina, que vão subindo junto com a intensidade das contrações, e nessa hora já estão bem elevados, a mulher começa a entrar em um estado de transe, similar ao que acontece durante a excitação sexual. Esse estado é chamado de partolândia. Parece que ela se vira para dentro de si mesma, olha para sua alma. As pessoas falam com ela e ela nem responde, ou diz coisas incoerentes. Muito do que fala tem a ver com o que está sentindo. Ela geme e se mexe, respira profundamente, e depois de maneira acelerada, busca a melhor posição, que logo já não é mais confortável e começa tudo de novo.

Nesta fase, a parte consciente e racional da mulher já não está mais presente, e o que resta é a Fêmea em seu sentido mais essencial e irracional. Esse estado "animal" é essencial para que a mulher coloque seu filho no mundo, pois é de sua essência animal que ela vai tirar a força necessária para fazê-lo. A parte consciente da mulher ressurge apenas em poucos instantes, onde ela duvida de si mesma, diz que não vai conseguir, pede anestesia, pede cesariana. Esse é um sinal: é chamado de "hora da covardia" e indica que o trabalho de parto está chegando ao fim. Nessa hora, é necessário reforçar a crença da mulher em sua capacidade de parir, e confiar nela. Quando isso acontece, ela deixa de lado todo o medo que acompanha a consciência, e se entrega. Seu corpo trabalha sozinho, seu instinto domina: ela sabe o que está fazendo, e se não sabe, seu corpo sabe.

Nessa hora, a cabeça do bebê, em sua descida lenta, começa a fazer pressão na área próxima do intestino grosso e do ânus, e a mulher começa a sentir uma vontade incontrolável de fazer força. Alguns relatos comparam essa sensação com a sensação de precisar desesperadamente cagar. Não adianta ficar de frescurinha nessa hora, a palavra é essa. Efetivamente, em alguns casos, a mulher faz um pouco de cocô, sim, mas uma equipe bem treinada nem fará menção do ocorrido, para não deixar a mulher com vergonha, pois nessa hora, qualquer coisa que impedir a entrega total da mulher às necessidades da partolândia pode atrapalhar o andamento do parto.

Ao atingir 10 centímetros de dilatação, se inicia a fase do expulsivo.

O Trabalho de Parto - Parte 3

O trabalho de parto ativo

O trabalho de parto ativo é marcado pela presença de contrações regulares, de 5 em 5 minutos em média, que vão ficando cada vez mais próximas e intensas.


Nessa hora, o papel dos hormônios é essencial. A mulher em trabalho de parto libera um coquetel de hormônios, cujo ingrediente principal é aocitocina endógena (produzida pela própria mulher, na hora do orgasmo e do parto) que, além de produzir contrações, é um anestésico natural: ela traz uma sensação de bem-estar e prazer. Conforme as contrações vão ficando mais fortes, o corpo vai produzindo mais ocitocina, na medida certinha para aniquilar a dor, completamente. Por isso, assim que a contração para, a dor também para, e a mulher que consegue relaxar entre as contrações se sente muito bem. A ocitocina endógena ajuda a aumentar as contrações E a aliviar a dor ao mesmo tempo. Muito perfeito, não?

Enquanto a mãe recebe este coquetel de hormônios, o bebê também recebe umas mensagens químicas específicas que o preparam para o nascimento. Até a hora do parto, o bebê esteve dentro do líquido amniótico, treinando os movimentos de engolir e respirar lá dentro. Ele com certeza tem líquido amniótico dentro do estômago e dos pulmões. Mas ele também está PRODUZINDO líquido nos pulmões, que servem para impedir que os alvéolos se esvaziem completamente e grudem. Na hora em que o TP ativo começa, o bebê recebe uma mensagem química: ele pára de produzir líquido nos pulmões e passa a reabsorver o líquido que já tem lá. É nesse momento que o amadurecimento dos pulmões acontece. E é por isso que as doulas são tão chatas com essa história de "deixar o TP, pelo menos, começar naturalmente", porque, realmente, para o bebê, faz uma diferença enorme!

Nessa fase, as contrações vão ficando mais fortes e ritmadas. Essa fase pode variar muito em tempo, e reza a lenda que é mais longa na primeira gestação da mulher, mesmo que isso varie muuuuuito de mulher para mulher e de parto para parto. Acredito eu que o tempo do TP tenha relação com o tempo necessário para o amadurecimento dos pulmões do bebê, e por isso, quem controla o tempo do TP é o bebê e não a mãe.

É nessa fase que a mulher passa a sentirmais dor, e é nessa fase também que o papel da doula é mais apreciado, pois ela ajuda a aliviar essa dor sem precisar recorrer à anestesia. A doula faz massagens, compressas, indicaposições que aliviam a dor e que de quebra ainda aceleram o TP (veremos isso mais adiante, em detalhes), e ainda ajuda a manter o papai tranquilo. Sim, porque, geralmente, nesse momento, muitos papais entram em pânico!

Pense comigo: você vê sua parceira sentindo dor, gemendo, e tudo que você quer é poder aliviar a dor dela, nem que seja insistindo para ela tomar uma anestesia, né? Pois é, muito lógico! Por isso a doula está lá, para indicar aos papais outras maneiras de ajudar que não seja oferecendo uma anestesia, afinal, a experiência do parto é muito interessante e poder vivê-la em plenitude é muito enriquecedor para a mulher!

A fase do TP ativo termina quando a mulher está com mais ou menos 7 para 8centímetros de dilatação. (Outro dia, passei na frente de uma aula lá no CEUB, e a professora estava explicando para as alunas que a dilatação da mulher era de nove DEDOS (!?!) Eu arrepiei!!! Não é dedo! É centímetro! Fiquei imaginando as coitadas das pacientes que vão ser atendidas por essas enfermeiras (?) depois...).

Em seguida se inicia a fase de transição.



Fonte: http://adeledoula.blogspot.com/2011/10/o-trabalho-de-parto-parte-3_11.html

17 de agosto de 2011

Tipos de parto

Vou falar sobre tipos de parto, e como eu classifico eles, explicando alguns pontos. Na minha visão, existem dois tipos de parto: o Parto Normal e o Parto Natural Humanizado. A cesárea é uma cirurgia de grande porte, portanto, é uma via de nascimento, mas não um parto. Gosto de enfatizar isso, porque vivi a cesárea e o parto normal, e a diferença é clara para mim!]
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Parto NormalRealizado em ambiente hospitalar. No momento da internação são feitos procedimentos de rotina como enema (lavagem intestinal) e tricotomia (raspagem de pelos) de rotina, muitas vezes sem se perguntar a mulher se ela quer isso. Nele a mulher recebe uma via intravenosa, para ser colocado o soro com hormônio sintético, e assim acelerar o parto (com hormônio sintético, as contrações vem com mais violência, na maioria das vezes). Durante o Trabalho de Parto a mulher, geralmente, é instruída a ficar deitada do lado esquerdo, não podendo caminhar, nem se movimentar, não é permitido comer e beber, nem gemer... nada. No período expulsivo (nascimento), a mulher fica deitada (pior posição para parir, a mulher pode passar mal, e é mais difícil a saída do bebê), o obstetra realiza a episiotomia de rotina (muitas vezes não é necessária esta mutilação, é preferível ter uma laceração, que cura mais rápido, do que o corte), para “ajudar” a passagem do bebê ( o canal vaginal foi feito para se adaptar a passagem da criança, e volta ao normal) , e não é perguntado a mãe se ela quer isso ou não. O médico comanda o tempo todo, conduzindo a mãe a fazer força, muitas vezes em momento errado, fazendo mãe e bebê, sofrerem desnecessariamente. Após o nascimento o bebê é levado pelo pediatra, para procedimentos de rotina (o que pode ser realizado perfeitamente no colo da mãe). A placenta e puxada (não é o correto a fazer, pois pode se deixar algum pedaço dela para trás, trazendo complicações maternas)
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Parto Natural HumanizadoPode ser realizado no hospital , em casas de parto ou no próprio domicílio, com uma equipe humanizada, que respeita às vontades e desejos das mulheres. É o parto onde o obstetra ou parteira simplesmente acompanham , e observam sem interferir. É o parto normal sem intervenções como anestesias, episiotomia ,indução ou manobras. Nele são respeitados o ritmo/tempo da mulher e do bebê. É dada a liberdade para se movimentar e fazer aquilo que seu corpo lhe pede. Durante o Trabalho de Parto são utilizados métodos naturais para o alívio das dores ( a anestesia pode fazer o bebê demorar a querer mamar, deixando o preguiçoso, desorientado). É importante a mãe utilizar as técnicas de respiração e relaxamento, posições, métodos naturais como a banheira ( parto na água- sendo que o bebê pode nascer na água, que é considerado uma maneira tranquila de nascer), ou chuveiro com água quente, mas principalmente a mulher deve se sentir segura. Geralmente, a Doula se faz presente, junto com o marido ou acompanhante, encorajando, orientando e confortando a mulher. Na hora do expulsivo (nascimento), a mulher escolhe a posição que quer parir, na qual se sente melhor (cócoras, de quatro, semi sentada, sustentada pelo marido), ela faz força quando vem a contração, podendo se recuperar. A episiotomia não é realizada. Assim que o bebê nasce, vai para o colo da mãe, e é amamentado. Se for necessário, o pediatra realiza os procedimentos no colo da mãe. A placenta sai naturalmente.