Mostrando postagens com marcador criação com apego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador criação com apego. Mostrar todas as postagens

11 de dezembro de 2013

E Não é Que o Bebê Apegado é Bem Independente? - do Blog Paizinho Vírgula

Compartilho aqui a experiência do Thiago Queiroz, do Blog Paizinho Vírgula, que relata a experiência que muitas famílias tem com uma criação com apego. Claro que outras famílias não tem este tipo de experiencia, mas creio que vale a leitura! E também digo que para a nossa família a Criação com Apego, gerou crias independentes!



Queria compartilhar algo com vocês hoje, na véspera do aniversário de 1 ano do Dante. Não é um retrospecto do primeiro ano de vida, não. Isso vai ser um outro post, mas queria falar um pouco sobre algo que eu acho que falarei bastante ao longo dos próximos anos, com o desenvolvimento do meu filho: independência.
Antes de mais nada, é muito importante dar um aviso: esse post reflete a minha experiência familiar, e não reflete a realidade familiar de todo mundo. Talvez algumas pessoas se identifiquem, mas muitas outras não se identificarão. Isso porque cada bebê é único e têm necessidades (e intensidades) diferentes entre si. Junte isso à diferença entre pais enquanto pessoas diferentes, e você terá a linda singularidade de cada família!
Por mais que estudemos, nós ainda ficamos com a pulga atrás da orelha sobre o que estamos fazendo e os potenciais efeitos negativos que isso pode causar em nossos filhos. É perfeitamente normal ter esses momentos de insegurança, até porque nunca saberemos o que vai acontecer em seguida. Por isso que quando alguma coisa dá evidência de que estamos no caminho certo, sobram motivos para comemorar.
É o caso da independência dos nossos bebês. Nós sabemos, que atendendo às necessidades deles, dando um cuidado amoroso e consistente, estamos na verdade promovendo a sua independência natural. Nossa expectativa é que nossos filhos sejam seguros o suficiente para explorar o mundo, sem dúvida, mas quem é que nunca ouviu:
- Fica dando muito colo que ele nunca mais vai querer sair do seu colo.
- Se você ficar dando colo, ele nunca vai andar.
- Pega ele toda hora que ele vai ficar mimado.
- Se você atender sempre a ele, ele nunca vai ser independente.
E, claro, quando você ouve demais esse tipo de declaração, sempre alguma minhoca oportunista acaba se implantando na sua cabeça. Isso é normal, mas temos que tomar cuidado para que essa minhoca não vire um dragão-de-komodo na sua cabeça (eu sei que minhocas e dragões-de-komodo não têm nada a ver, mas eu acho divertido falar “dragão-de-komodo”) e para isso, é importante nos cercarmos de pessoas que também acreditam no tipo de criação que damos para  nossos filhos.
Todos sabem que o Dante sempre teve muito colo. Colo quando ele quis, quando eu quis, quando a Anne quis. Principalmente para eu, que trabalho o dia inteiro fora de casa, o colo é algo essencial para que eu consiga me reconectar com o meu filho após um dia chato de trabalho e, além disso, o babywearing rola solto na nossa família. Eu, particularmente, não sou das pessoas que têm muito medo do tal risco do meu filho ser mimado ou coisa do gênero, porque eu acredito muito no potencial positivo da criação com apego. De verdade.
Muito bem, Dante faz um ano de vida amanhã e, desde semana passada, já começou a ensaiar seus primeiros passos. Mais do que isso, ele pede para ir para o chão já há algum tempo. Pede, não. Luta, grita, chora, faz de tudo porque quer ir para o chão. O colo não é mais tão legal quanto estar no chão, engatinhando e explorando o mundo, ou treinando dar seus passinhos.
Dante, aquele mesmo bebê quietinho que ia para todos os lugares com a gente, que todo mundo elogiava porque ele era tão “calminho”, aquele bebê que só ficava no colo e não chorava, agora é um bebê que quer se soltar dos braços dos pais, ir para o chão e sair por aí, explorando esse mundo tão grande e novo para ele.
Agora, andar na rua ou no shopping é uma nova aventura. Agora, ficar batendo perna em restaurantes e lojas é mais divertido que ficar sentado no colo dos pais. Agora, interagir com outras pessoas, adultos e crianças, é muito mais legal.
Tá, pode me chamar de babão. Eu só não vou mudar o nome do blog para Paizinho Babão.

Via: Paizinho, Vírgula! :: http://paizinhovirgula.com/e-nao-e-que-o-bebe-apegado-e-bem-independente/

28 de agosto de 2013

Uma reflexão - Seu filho é normal como você?

Uma ótima reflexão! Eu não tenho nem o que comentar, o texto fala por si. Leiam!

Se você está explorando algo muito interessante e alguém lhe toma sem justificativa, você se sente desrespeitado.
Se você está andando livremente e alguém te segura, você protesta.

Se você quer muito fazer algo e leva um sonoro não, você reage.
Se alguém muito querido chega, te cumprimenta brevemente e não te dá mais atenção, você confronta.

Se uma das suas pessoas favoritas tem hora certa para te atender, você fica chateado.

Se sua família se recusa a fazer qualquer alteração na rotina para atender a uma vontade sua, você não se sente importante.
Se você está com fome, mas te negam comida, você pede de novo.

Se alguém te força a comer sem fome, você vira o rosto.

Se alguém empurra alguma coisa que você não gosta para dentro da sua boca, você cospe.
Se você está no escuro, sozinho, sem a possibilidade de se mexer, você grita.

Se você está num ambiente desconfortável, com vontade de estar perto de alguém que gosta, você chama essa pessoa.

Se você pode ir até ela com suas próprias pernas, você levanta e vai.

Se você não está com sono, está com muitos pensamentos na cabeça, apaixonado demais, carente demais, com fome, com sede, com calor, com frio, com medo, você também não dorme.
Se durante o dia inteiro você não teve a possibilidade de fazer nada espontâneo, tudo foi feito sob ordens de alguém, você se aborrece.

Se as pessoas com quem você convive não aceitam nenhuma das suas ideias, você se sente incapaz.

Se você tenta expressar seus sentimentos de todas as formas que conhece e não se sente compreendido, você se enraivece.
Talvez você aceite a comer o que não gosta.

Talvez você aceite a comer sem fome.

Talvez você aprenda a dormir com medo.

Talvez você aprenda a dormir sem sono.

Talvez você encontre alguém que te compreenda.

Talvez você desista.
Retirado daqui

4 de junho de 2012

Como pensa o pediatra que criou o attachment parenting


arquivo pessoal


CRESCER entrevistou, por telefone, William Sears, mais conhecido por Dr. Bill Sears, o pediatra norte-americano que compilou os conceitos do chamadoattachment parenting, um estilo de criar os filhos que ganhou espaço na mídia do mundo todo após a capa comemorativa do dia das mães da revista TIME

Cíntia Marcucci

Carregar o bebê próximo ao seu corpo, em um sling, por exemplo; começar o contato com seu filho logo após o partoamamentação prolongadadeixar o filho dormir na sua cama. Se você está grávida ou tem filhos menores de 10 anos, já deve ter ouvido ou lido pelo menos uma discussão sobre essas práticas. Muita gente defende, outras muitas criticam com unhas e dentes. E não só por aqui. 

Recentemente uma capa da revista TIME literalmente “causou” em sites, redes sociais e na mídia em geral do mundo todo. A imagem, que trazia uma mãe amamentando uma criança de 3 anos, era só um chamariz para contar a história de Dr. Bill Sears, o pediatra norte-americano que escreveu, vinte anos atrás, o livro The Baby Book (O Livro do Bebê, em tradução literal, inédito no Brasil). Best-seller nos Estados Unidos, o livro traz sete regras que devem ser seguidas para criar filhos felizes, saudáveis, e com “bom caráter”, o chamado attachment parenting, algo que é conhecido no Brasil comocriação com apego. Além das quatro atitudes citadas no início desta reportagem, estão na lista acreditar no choro do seu filho (e confortá-lo sempre), tomar cuidado com métodos de treinamento para bebês (como o que diz para amamentar a cada 2 horas ou deixar o bebê chorando por X minutos) e balancear a maternidade / paternidade com as outras áreas da vida (casamento e cuidar de si mesma). 

Dr. Bill Sears tem 72 anos, oito filhos, alguns netos e conversou com a CRESCER por telefone para explicar como ele chegou aos conceitos do attachment parenting, justificar por que recomenda que os pais os sigam e comentar sobre toda a polêmica que sua teoria gera entre quem tem, está para ter e mesmo quem não tem filhos. 


CRESCER - Como você chegou ao seu conceito de attachment parenting
Dr. Bill Sears -
 Quando eu comecei a atuar como médico, 40 anos atrás. Eu sabia muito sobre bebês doentes, mas nada sobre bebês saudáveis e normais. Então eu comecei a observar essas crianças saudáveis e descobri muitos hábitos das mães, muitas atitudes inteligentes. Foquei nas crianças que eram bem comportadas, que eram muito saudáveis, e passei a investigar o que o pai e a mãe dessas crianças faziam, o seu estilo de criar os filhos. Foi assim que eu descobri os sete conceitos (7 Baby B’s, em inglês) - é o que esse pais faziam na maioria das vezes. Também li e ouvi relatos de pessoas que tinham viajado pela América do Sul e observaram que eram carregados junto ao corpo das mães. E contavam como os bebês adoravam, como as mães também pareciam felizes. E eu pensei: tenho que popularizar isso aqui na América do Norte! 


C – Todos os seus filhos nasceram após o senhor desenvolver esse conceito? 
Dr. B.S.
 - Sim. Foi durante, na verdade. A gente foi descobrindo também o que era melhor para os nossos filhos. A cada filho minha mulher ia amamentando por mais e mais tempo, por exemplo, pois isso funcionava muito bem para ela. 


C – E seus filhos seguiram os mesmos preceitos que o senhor na crianção dos filhos deles, seus netos? Ou houve um daqueles conflitos de gerações em que os filhos resolvem fazer tudo ao inverso do que seus pais fizeram? 
Dr. B.S.
 - (risos) Eles seguiram com esse estilo sim, acho que viram que funcionou bem, deu certo. Mas eu sempre faço brincadeiras com eles: “Oras, vocês estão bem hoje, não é?”. Sabe, é um estilo muito natural de ser pai e mãe, é quando uma mãe segue seus maiores instintos, os mais básicos. Não é nada extremo e nem é novo. O que eu fiz foi apenas pegar tudo o que as culturas ao redor do mundo sabem por séculos e reunir. Pois eu acho que nós precisamos voltar ao mais simples e natural, que sabemos por experiência milenar que funciona. Acho que era preciso trazer isso de volta. 


C – Por que o senhor acha que é bom voltar para isso? Que bem, afinal, isso faz para as crianças? 
Dr. B.S. -
 Eu estudo isso há mais de 40 anos, então eu já pude observar e estudar pessoas que hoje são adultos e foram criados seguindo esses preceitos. Eu os chamo de “crianças que se importam” (kids who care, em inglês). Eles têm o que chamamos de empatia, eles são pessoas gentis, muito sensíveis, são bons indivíduos para a sociedade. Não se transformam, por exemplo, em crianças que praticam bullying. Nós como sociedade, em todos os países, precisamos mais de pessoas assim, mais de sensibilidade. É muito raro que uma criança criada assim se torne um criminoso. 

C – E por que o senhor acha que as pessoas resolveram criticar tanto tudo isso agora, o que causa tanta polêmica, em especial depois da matéria de capa da Time
Dr. B.S. -
 Eu acho surreal, pois as pessoas estão se afastando do que é básico na maternidade. Para muitas mulheres, isso não tem nada de estranho, nem de extremo, é muito natural. Para outras, essa ideia de amamentar até os 3 anos é absolutamente bizarra. O ponto que eu quero mostrar a todos é que isso não é surreal em muitas e muitas outras culturas. A Organização Mundial de Saúde, uma organização muito mais do que respeitada, recomenda que se amamente por 2 anos ou mais. Então, se isso é recomendável ao mundo todo... 


C - Sim, mas imagino que pessoas argumentem que isso simplesmente não se encaixa mais com o estilo de vida atual de muitas mulheres, em especial as que trabalham fora. É muito possível que muitas delas não consigam ter essas atitudes. O que o senhor diz a respeito disso? 
Dr. B.S. -
 Eu acredito que dá para conciliar com o trabalho, sim. E mais que isso, digo que o attachment parenting é ainda mais importante para as mulheres que trabalham. Na verdade, as mulheres sempre trabalharam. Isso não é novo. Minha mulher trabalhava enquanto cuidava dos nossos filhos e eu ainda estava na faculdade. As mães são as melhores multitarefas do mundo, elas podem fazer muitas coisas ao mesmo tempo. E as mulheres podem continuar amamentando depois de voltar ao trabalho, por conta de todas as bombas de amamentação que existem hoje, muito mais modernas. Aqui nos EUA nós temos leis agora que permitem que as mulheres tirem 15 minutos várias vezes por dia para extrair seu leite em um lugar específico e depois levar para seu bebê. Então existem meios, sim, para a mãe que fica longe de seu filho. O leite materno é ouro líquido, e isso é um meio maravilhoso delas se conectarem com seu filho. Acho que o attachment parenting é ainda mais importante na sociedade atual. (Nota da editora: aqui no Brasil existem projetos de lei para que existam salas de amamentação nas empresas e também projetos para padronizar esses espaços). 

C – Aqui no Brasil temos 4 meses de licença-maternidade, é bem menos nos Estados Unidos, não é? 
Dr. B.S. -
 Sim, e dar um bom período de licença-maternidade é característica de um governo sábio. Pois é um investimento nas pessoas do futuro daquele país. É o futuro da sociedade que entra em jogo. 

C – Gostaria que o senhor falasse um pouco da culpa materna. As mulheres se sentem culpadas por não estarem perto de seus filhos, não fazer isso ou aquilo por eles. O senhor não acha que dizer que elas devem amamentar por tempo prolongado aumenta ainda mais esse sentimento? 
Dr. B.S. -
 Eu acho que attachment parenting é o contrário. Ele dá ferramentas para que ela fique mais próxima, se conecte com o seu filho, não o oposto. Ou seja, mesmo se você precisar estar longe de casa, você tem um jeito de, na volta, estar mais perto do seu filho. São coisas para ajudar, não para piorar a sensação dela. 


C – E quanto aos homens? O que os pais podem fazer sobre o attachment parenting, já que amamentação é uma das coisas que só as mães podem fazer? 
Dr. B.S.
 - É muito importante para o pai ter atitudes nesse sentido, para que a mãe não se sinta esgotada. O pai pode vestir o bebê, usar o sling, ele pode confortar um bebê que chora. É lindo ver um homem segurando seu bebê pele com pele. Vê-lo cantar para seu filho, aconchegá-lo. E os bebês amam isso. É um jeito muito bacana dos pais participarem. 


C – Algo mudou desde que o senhor escreveu o livro The Baby Book
Dr. B.S. -
 Acho só que fica mais claro que podemos comprovar que isso funciona. Temos como mostrar que as crianças criadas assim cresceram bem, saudáveis e hoje são adultos com boa saúde e caráter. Mas eu digo aos pais o seguinte: escolham e pratiquem o estilo de paternidade que for mais natural para vocês.